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Caros amigos. Com esta Galeria do Rádio queremos homenagear os grandes nomes de nosso rádio e da cultura brasileira. As fotos aqui apresentadas, inéditas e raras, fazem parte do acervo particular de Osmar Frazão, e recuperam uma parte importante de nossa história. Ao todo, este acervo possui mais de 400 fotos, exclusivas, importantes, que aos poucos serão adicionadas nesta página. Com este trabalho, esperamos conseguir mostrar que a memória é eterna, assim como o trabalho, a dedicação e o brilhantismo destes artistas.
Altivo Diniz
Altivo Diniz chamava-se na realidade Sebastião Maury Quaresma de Moura. Nome não muito apropriado artisticamente para um radioator, principalmente naquele tempo. Por isso, adotou por conta própria o nome de Altivo. Participou da primeira novela da Rádio Nacional intitulada “Oh, Meu Irmão, Salve-me” de autoria do espanhol Miguel Escuder. A principal característica de Altivo era imitar a voz de um caipira, que o tornava notável diante do microfone.
No cinema, participou de alguns filmes como: “Hoje o Galo Sou Eu”m com Ronaldo Lupui, Henriqueta Brieba, Liana Duval e Renata Fronzi. Altivo tomou parte também de “Balança Mas Não Cai”, que foi adaptado para o cinema em função do enorme sucesso que o programa vinha obtendo na emissora. O êxito foi tão grande que a maioria do elenco pertencente ao “cast” da Rádio Nacional também integrou o elenco do filme. No programa “As Histórias do Tio Janjão”, os ouvintes tinham o privilégio de ouvir a “voz” do Gato Peixoto graças a sua talentosa interpretação.
Castro Barbosa
Uma das maiores figuras do Rádio brasileiro, Castro Barbosa (na foto com seu grande parceiro, Lauro Boeges) na realidade chamava-se Joaquim Silvério de Castro Barbosa e nasceu na cidade de Sabará, em Minas Gerais, no dia 7 de maio de 1909. Com sete anos sua família veio para o Rio de Janeiro, onde ele iniciou seus estudos, no bairro do Engenho Novo, no Grupo da Rua Barão do Bom Retiro, esquina com a rua Dona Romana.
Em 1920, Castro já estava no Colégio Pedro II recebendo aulas de matemática do famoso professor Euclides Roxo. Aos 18 anos teve seu primeiro emprego na Papelaria e Livraria Pimenta de Mello. O segundo emprego foi numa fábrica de bebidas, na rua de São Pedro. Quando tudo corria as mil maravilhas, eis que, no dia 10 de março de 1930, quando viajava de trem para Teresópolis, um pequeno desastre estragou tudo: ausente do emprego, foi mandado embora.
Recuperado, trabalhou depois no Lloyd Brasileiro, onde cantarolava para os colegas que o incentivavam a apresentar-se no rádio. Motivado, Castro Barbosa cantou de graça durante um ano nas emissoras existentes naquele tempo no Rio de Janeiro. Nesse período, se manteve como funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. Uma curiosidade que muitos desconhecem: o famoso Bando da Lua que acompanhou Carmen Miranda para os Estados Unidos começou com oito integrantes, eram eles: Aloysio de Oliveira, Osório, Stênio, Afonso, Armando, Helio, Ivo e Castro Barbosa.
No primeiro registro musical do Bando para a gravadora Brunswick, Castro Barbosa foi o solista do samba “Que Tal a Vida” e Aloysio de Oliveira era o crooner da canção do outro lado do disco, “Tá de Mona”. Em 1931, a convite de Almirante, fez um teste na Rádio Educadora e lá iniciou sua primeira jornada. Nesse ano conheceu João de Freitas, o Jonjoca, e com ele formou uma dupla para “enfrentar” a famosa Francisco Alves e Mário Reis. E os dois não se saíram mal, gravaram diversos discos.
Sua grande oportunidade surgiu em 1932 ao gravar, de Lamartine Babo e Irmãos Valença, a marcha “O Teu Cabelo Não Nega”. Sucesso absoluto, Castro pediu demissão do banco mineiro, foi trabalhar na Phillips do Brasil e se casou. Sua voz de cantor era similar a de Francisco Alves o que ajudou bastante em sua carreira de intérprete.
Tinha mania de imitar o sotaque lusitano e com isso tirava proveito contando piadas e divertindo os colegas.O grande descobridor de talentos chamado Renato Murce, percebendo sua vocação de humorista, convidou-o para participar do elenco da Rádio Transmissora, e assim nascia o personagem que o acompanhou para sempre nas sátiras radiofônicas: “Seu Ferramenta”.
Castro Barbosa participou de diversos filmes nacionais, incluindo “Abacaxi Azul” já em dupla com Lauro Borges e com a PRK-30.
Sem abandonar a vida de cantor e de bom boêmio – ele chegou a fazer serenata em companhia de Custódio Mesquita, contou-me certa vez - angariou muitos amigos. Gravou em dupla com as cantoras Dircinha Batista, Sonia Barreto, Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e mais Almirante, Déo, Murilo Caldas (irmão de Silvio) com o próprio Lauro Borges e com Francisco Alves o clássico “Feitio de Oração” de Noel Rosa e Vadico, gravação que muita gente desconhecia. Até aqui quem colocara primeiro a voz nessa musica em 1934.
De seu repertório carnavalesco estão registradas duas músicas inesquecíveis: “Teu Cabelo Não Nega” e “Praça Onze”, de Herivelto Martins, na qual cantou acompanhado pelo Trio de Ouro.
A segunda parte de sua vida artística, como humorista, foi de maior sucesso. Ao lado de Lauro Borges, a dupla fez o Brasil parar para ouví-los nos programas de Renato Murce intitulados “Piadas do Manduca”, “PRK-20” e mais tarde “PRK-30”. Castro fazia o papel do português Megatério Nababo de Alicerce, sempre ao lado do impagável Lauro Borges.
Participou do elenco de produtores e comediantes da extinta TV Rio, Canal 13, escrevendo o quadro “Só Tem Tan-tan” e “Coral dos Bigodudos” – do qual eu tomei parte - para o programa de Chico Anísio, e também como partícipe e consultor do grande musical intitulado “História do Carnaval Brasileiro”, orientando o diretor, Armando Couto.
Logo depois da PRK-30, todos os demais programas dos quais participou durante anos na Rádio Nacional foram levados para a televisão e tiveram grande audiência.
Antes de encerrar quero lembrar que Castro Barbosa teve um irmão de nome Fernando, que foi cantor e que deixou sua voz marcada na gravação original da composição de Cândido das Neves intitulada “Útima Estrofe”, que seria relançada por Orlando Silva no ano de 1935 com muito sucesso até os dias de hoje.
Castro Barbosa nos deixou no dia 20 de abril do ano de 1975
Mafra Filho
Mafra Filho foi um valoroso profissional diante dos microfones de emissoras de rádio, sempre emocionando os ouvintes da chamada Era de Ouro das novelas no rádio.
Iniciou suas atividades em 1938 no teatro, mas desde os tempos de escola já se fazia notar por seu amor à arte de representar. Em 1945, a convite de Vítor Costa, foi contratado pela Rádio Nacional, onde mostrou seu talento em novelas famosas assinadas por Ghiaroni, Amaral Gurgel, Luiz Quirino, Oduvaldo Viana, Saint Clair Lopes e demais escritores.
Roberto Faissal
Roberto Faissal ingressou na Rádio Nacional no ano de 1943 como datilógrafo, com apenas 16 anos de idade. Mais tarde, enveredaria para o departamento técnico, aprendendo os segredos da sonoplastia, descobrindo os efeitos certos a serem usados nos mais variados tipos de programas radiofônicos.
Entrou para a equipe de rádio-teatro, por obra do acaso: certa vez atuando como sonoplasta no programa de Saint Clair Lopes intitulado “Os Grandes Amores da História”, ao verificar a ausência de determinado personagem para interpretar um dos amores de Sarah Benhardt, foi ao microfone. Foi o suficiente para receber elogios e prosseguir em uma nova caminhada, orientado pelo experiente irmão, Floriano, e sob as vistas do estruturador do rádio-teatro da querida emissora, Vítor Costa. Roberto participou das novelas de grande audiência da Rádio Nacional como galã. Dono de uma voz inconfundível, era um dos campeões de correspondências das admiradoras de seu tempo.
Rodolfo Mayer, Abigail Maia e Floriano Faissal

Três grandes nomes do rádio, na mesma foto.
Ao centro, Abigail Maia. Abigail nasceu no século retrasado, ou seja, em 16 de setembro de 1887, à Rua do Senado, número 7. Aos quinze anos de idade já estava no palco substituindo uma faltosa atriz na companhia teatral da qual sua mãe, Balbina Maia, integrava o elenco. Sua história é longa e linda. Foi casada com Raul Roulien, primeiro ator brasileiro a ser conhecido em Hollywood, e depois com Oduvaldo Viana, dramaturgo que iria emprestar sua inteligência a serviço da cultura de nosso país, escrevendo novelas que até os dias de hoje são encenadas em diversos canais de televisão.
Até chegar a Rádio Nacional, na década de 40, Abigail Maia passou por todas as experiências artísticas. Eram imensos os seus dotes, pode-se dizer que ela fez de tudo nos palcos de nossas praças teatrais. Cantou, dançou, declamou, representou ao lado dos mais destacados colegas da época. Foi contratada pela Rádio Nacional em 8 de abril de 1942.
No ano de 1920 o conhecido empresário Pascoal Segreto chama-a para se apresentar no Teatro São Pedro, trazendo-a de volta ao Rio de Janeiro. Nos palcos cariocas, Abigail protagonizou e criou diversos personagens com êxito, principalmente tomando como base todo o repertório de comédias de Oduvaldo Viana.
Além de ter sido atriz de todos os gêneros, foi um dos maiores cartazes da Rádio Nacional. Cantora, apresentava-se com Pepa Delgado e Raul Roulien. A primeira recebeu o título de “Rainha da Canção Brasileira”. Como atriz de opereta, brilhou em “Jurity”, peça que projetou Procópio Ferreira. Se Oduvaldo Viana foi um dos maiores defensores da independência de nosso teatro, tentando exaustivamente trocar o tradicional sotaque português pela pronúncia peculiar de nosso pais, Abigail Maia foi uma das pioneiras na luta pela liberdade da mulher, o que incluía o direito de pisar no palco para representar.
Floriano Faissal
Floriano Faissal foi um dos maiores radioatores de novelas no Brasil. Sua voz tornou-se conhecida a partir do seriado de Leandro Blanco intitulado “Em Busca da Felicidade”, lançado ao ar no dia 5 de junho de 1941 e encerrado vinte e três meses depois. Floriano fazia o papel do “Dr. Mendonça”. Com esta peça, a Radio Nacional dava seu primeiro grande passo para o sucesso de novelas radiofonizadas. Faissal entrou para a Rádio Nacional no dia 1° de março de 1939. Só deixou a emissora no dia 1º de outubro de 1970.
Floriano nasceu em 20 de janeiro de 1907. Apaixonado pelo teatro, iniciou sua carreira como “ponto”. Para quem não sabe, ponto era aquele profissional que ficava no centro do palco, encoberto por uma caixa para que o público não o visse, lendo em voz alta o texto para os artistas repetirem. Talentoso, logo depois Floriano desempenharia papéis importantes em diversos espetáculos cariocas. Em 1938, entrou para a Rádio Nacional e o sucesso andou permanentemente de braço com ele. Foi diretor de radioteatro da emissora e recebeu o prêmio de Melhor Radioator do ano de 1954. Participou das principais novelas da Rádio Nacional.
Rodolfo Mayer
Foi por intermédio do rádio que o artista Rodolfo Mayer tornou-se conhecido do grande público brasileiro ao interpretar, na Rádio Nacional, em 1942, o personagem Alfredo Medina. Era um dos protagonistas da novela “Em Busca da Felicidade”, de Leandro Blanco.
Nasceu em São Paulo, no bairro da Luz, em 4 de fevereiro de 1910, mas iniciou sua carreira de ator ainda bem jovem, no Colégio Salesianos onde estudava e se destacava em Geografia e História. Mais tarde conheceu Oduvaldo Viana, que o apresentou a Procópio Ferreira no dia 29 de dezembro de 1932 durante um ensaio da peça “Deus lhe Pague”, no Teatro Boavista.
De fina aparência, logo foi convidado a integrar a companhia teatral de Procópio até 1935. Neste ano, veio para o Rio de Janeiro a convite de Darcy Cazarré, atuando ativamente nos mais elegantes teatros de nossa cidade em diferentes elencos teatrais, inclusive sendo eleito por seus colegas presidente de uma organização denominada “Comédia Brasileira”, organizada por Abadie Faria da Rosa sob os auspícios do Serviço Nacional de Teatro.
Diante de tanto talento, a Rádio Nacional, que a partir do ano de 1940 é impulsionada pelo Governo Vargas, contrata-o. Mayer é contratado no dia 5 de maio de 1940, quando morava na Rua da Gratidão. Ele ficaria por pouco mais de duas décadas na Nacional. É infindável a lista de prêmios, troféus, medalhas, honrarias que recebeu pelo tudo que fez no teatro, rádio, televisão e cinema.
Sua participação em “As Mãos de Eurídice”, de Pedro Bloch, monólogo dramático e imperecível, marcou sua presença na história da arte de representar no Brasil. Existe um LP gravado com sua notável interpretação nessa peça conhecida em quase todo mundo.
Foi casado com a radioatriz Lourdes Mayer e viveu exclusivamente para seu talento. Em São Paulo, onde nasceu, existe uma rua com seu nome, ao lado de outra cujo homenageado fora, como ele, um artista “que dispensa adjetivos”: Carlos Galhardo.
Blecaute

Blecaute era na verdade Otávio Henrique de Oliveira, paulista do Espírito Santo de Pinhal, nascido em 5 de dezembro de 1919. Iniciou carreira de cantor na Rádio Difusora de São Paulo e, aceitando a sugestão de Ariovaldo Pires, conhecido como “Capitão Furtado”, de grande influência no mercado de rádio da terra da garoa, Otávio passou a ser conhecido como Blecaute. O nome aproveitava o mote da severa economia de luz durante a Segunda Guerra Mundial.
Dicção perfeitamente clara, empático, sorridente e sambista autêntico, veio para o Rio de Janeiro em 1942 contratado da Rádio Tamoio, onde logo se destacaria para em seguida ser contratado da Rádio Nacional. Blecaute assinou com a Nacional em 1° de julho de 1947 e saiu em 30 de junho de 1973.
Na Nacional, fazendo parte do Programa César de Alencar, Blecaute tornou-se popularíssimo, lançando sambas de sua autoria e de outros compositores, sempre participando de toda a programação musical da antiga PRE-8. Em 1950, sua voz enquadrou-se perfeitamente na marcha de Roberto Martins e Wilson Batista intitulada “Pedreiro Waldemar”, composição de forte cunho social e crítica de costumes, o chamado “samba de protesto”, uma das primeiras deste gênero, comentada até hoje. Quem não se lembra? “Você conhece o pedreiro Waldemar?/ Não conhece./ Mas eu vou lhe apresentar./ De madrugada toma o trem da Circular./ Faz tanta casa e não tem casa pra morar./”
Blecaute teve seu nome perpetuado pela imprensa como o “General da Banda” logo após gravar samba com este nome, de Satyro de Mello, Tancredo Silva e José Alcides, composição que “estouraria” naquele carnaval, o mesmo em que fazia sucesso o “pedreiro fazia casa e não tinha casa pra morar”. Durante o período natalino, desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro, fantasiado de “fardado” general, ao lado dos meninos da Casa do Pequeno Jornaleiro. Quando criança, o menino Otávio bem cedo enfrentou a orfandade e por isso compreendia bem as tristezas que a meninada experimentava sem seus pais neste dia especial. Para esta data, Blecaute compôs e lançou uma canção denominada “Natal das Crianças” que, junto a “Boas Festas”, de Assis Valente, na voz de Carlos Galhardo, tornar-se-iam duas das mais cantadas no dia do nascimento do Menino Jesus!
No Carnaval, Blecaute era o destacado oficial carnavalesco que levava alegria para o povo brasileiro por meio de suas gravações. Sucessos como “Que samba bom”, “Dona Cegonha”, “Maria Candelária”, “Maria Escandalosa”, “Papai Adão”, “Rei Zulu” e muitas outras. Gravou um LP incrível, cantando músicas latinas, que curiosamente tornou-se um disco raro no mundo fonográfico.
Participou com sucesso no ano de 1958 do show “Carnavália”, de Paulo Afonso Grisoli e Sidney Muller no Teatro Casa Grande, ao lado de Marlene, Nuno Roland e Eneida, uma admirável cronista paraense que conhecia a história do carnaval brasileiro como ninguém.
Blecaute teve rápida passagem pela televisão no ano de 1962, participando dos programas produzidos por Péricles do Amaral na TV Rio, ao lado de Gasolina, Tião Macalé, Monsueto Meneses entre tantos cantores e atores do extinto canal 13. Vestia-se com muito apuro e gastava suas energias na Lapa noturna ao lado de Geraldo Pereira, Wilson Batista e outros bambas, iniciando a canseira que se instalou em seu coração e que o fez baquear no dia 9 de fevereiro de 1983.
Sua imagem é vista vez por outra na televisão quando se trata de filmes da Atlântida onde aparece com sua simpatia lançando os sucessos para a festa do Rei Momo.
Cândido Botelho

De boa apresentação, o tenor Cândido de Arruda Botelho, de família tradicional e apaixonado pela música de câmara, procurou aperfeiçoar sua voz no Brasil, com o professor Carlos de Carvalho, e na Europa com Vera Janacopulus, na França, e com Marini, na Itália. Com poucas chances de sobreviver graças a seu trabalho com a música lírica, quedou-se para a música popular, o que não deu certo, visto que em seu tempo surgiram cantores como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas entre tantos que se identificavam com o gosto popular.
Apesar de se apresentar em shows luxuosos como “Joujou e Balangandãs” no Teatro Municipal e participar de espetáculos no Cassino da Urca em quadros deslumbrantes, Cândido experimentou uma forte frustração ao não receber autorização de Ary Barroso para gravar “Aquarela do Brasil”, mesmo depois de ser o primeiro a cantar a canção para a platéia elitista do afamado Teatro Municipal. Faleceu magoado com o autor que deu preferência a Francisco Alves para a gravação de “Aquarela”.
O Rei da Voz gravou “Aquarela do Brasil”, mas não deu importância a uma das mais belas páginas de Ary Barroso intitulada “Brasil Moreno” um samba emocionante que durante anos serviria de abertura musical nas peças de Walter Pinto no Teatro Recreio. “Balalaika”, “Quem Sabe”, “Canção da Felicidade” e outras iniciaram Cândido Botelho na música, porém, a valsa “Canta Maria” deu-lhe a popularidade merecida até o dia 24 de abril de 1955 quando faleceu.
Horacina Correa

Horacina Correa foi uma cantora gaúcha que fez grande sucesso no Brasil por intermédio de sua bela voz e de sua vocação de artista. Em sua terra natal foi uma das mais bem sucedidas intérpretes de Lupicínio Rodrigues. Adorava as festas carnavalescas e de ser solista do bloco “Divertidos e Atravessados” que durante o tríduo momesco reunia mais de 600 pessoas para o desfile triunfal na Rua da Praia, via tão popular em Porto Alegre, como a Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro
No ano de 1935, o Brasil fervia com as novidades musicais carnavalescas divulgadas em todo o Brasil pelas principais emissoras de rádio de cada cidade. Em Porto Alegre, destacavam-se as rádios Farroupilha e Gaúcha, onde a cantora, hoje tão imerecidamente esquecida, foi um grande cartaz e admirada por ser também a voz principal do “Cordão Carnavalesco Turunas”, cujo maestro era compositor Alberto Martiniano, outro valor que o povo perdeu na lembrança, grande formador de excelentes músicos no Rio Grande do Sul.
Horacina veio para o Rio trazido por Walter Pinto, empresário teatral de grande visão artística, mas não sem antes contrair núpcias com Alberto Martiniano, numa das mais badaladas cerimônias religiosas realizadas em Porto Alegre. O casamento foi realizado no estúdio da Rádio Farroupilha com a solenidade acompanhada pela grande orquestra da emissora.
Como intérprete, Horacina gostava de se apresentar com as roupas típicas da Bahia, como a autêntica vendedora das gostosas iguarias da terra de Ruy Barbosa. Com tabuleiro e tudo. Mulata bonita, atraente e muito simpática, recebeu convite para integrar a Orquestra do Maestro Fon Fon e com ela viajou por quase toda a América Latina e Europa, obtendo sempre enorme sucesso ficando muito conhecida na Argentina e Itália.
Participou de diversos filmes brasileiros, podemos lembrar “Este Mundo é Um Pandeiro” onde aparecia cantando de Ary Barroso o samba “No Tabuleiro da Baiana”. Tomou parte também do filme “É com Esse Que eu Vou”, cantando “Salve Ogum“ bonita composição de Pernambuco e Mário Rossi e gravado por Dircinha Batista. Participou também de “O Mundo se Diverte”, outra película muito aplaudida. Seu primeiro disco foi lançado em outubro de 1945, gravou diversos 78 rotações e LPs com músicas de Noel Rosa e Ary Barroso. Horacina cantou na Rádio Mayrink Veiga e se apresentou em quase todas emissoras de nossa cidade.
Hoje, Horacina é uma saudade boa de sentir. Aconselho aos que gostam de pesquisar as verdadeiras jóias brasileiras, a procurar mais informações dessa preciosidade chamada Horacina Soares Correa.
Ivon Curi
Ivon Curi veio ao mundo no dia 5 de junho de 1928 em Caxambú, em Minas Gerais. É de uma família de oito irmãos, entre eles os famosos Jorge Curi e Alberto Curi, locutores que tiveram destaque na era de ouro do rádio brasileiro. Ivon chegou com a família ao Rio de Janeiro no ano de 1940 e, na Cidade Maravilhosa, concluiu o curso científico.

Já tinha talento e vocação de artista. Aos 11 anos de idade, em sua cidade natal, foi vencedor de um programa de calouros interpretando “J'attendrai”, sucesso na voz de Jean Sablon.
Antes de entrar para o rádio Ivon Curi fez parte do quadro de funcionários da Companhia aérea Panair do Brasil. Nesse período, apresentou-se diversas vezes na Rádio Tupi no conhecido programa intitulado “Sequência G-3” animado por Paulo Gracindo.
Ivon Cury Foi crooner da orquestra do maestro Zacarias e teve uma rápida passagem pela Rádio Nacional, depois trabalhou na Rádio Tupi, e finalmente retornou definitivamente para a Nacional, emissora situada na época, no maior prédio da América do Sul, o Praça Mauá, número 7.
Dorival Caymmi foi o autor de uma de suas primeiras gravações, ocorridas no ano de 1948: “Adeus”. Eclético contador de histórias, suas apresentações sempre foram diferente dos demais colegas. Conhecia bem a língua francesa e seu ídolo, o cantor Jean Sablon. Não demorou muito para que gravasse nesse mesmo ano “Pigalle” e “La Vie en Rose” dois clássicos populares da terra de Edith Piaf.
Cury gravou diversos ritmos: baião, xotes, samba, muito admirado por seu talento, foi aproveitado no cinema nacional nos filmes “Aviso aos Navegantes”, “Barnabé, Tu És Meu”, “Ai Vem o Barão” entre outros, doze no total.
Ivon é o autor de uma das mais dramáticas e perfeitas interpretações em forma de canção em “Retrato de Maria”, composto em parceria com Meira Guimarães. Compôs também o samba-canção “Escuta” gravado por Isaurinha Garcia e que foi sucesso na voz de Ângela Maria. Recebeu o título de melhor cantor do ano de 1955 em concurso promovido pela Revista do Rádio.
Percorreu quase todo o Brasil, viajou para Portugal, onde recebeu a Rosa de Ouro, condecoração oferecida pelo governo português somente a pessoas ilustres. Foi proprietário das casas noturnas Sambão e Sinhá e Karaokê onde sua presença garantia o sucesso da noite. Com o espetáculo denominado “Ivon em todos os tempos” no Teatro Casa Grande, no ano de 1971, Ivon Curi recebeu novos aplausos e deixou registrado para a posteridade esse show inesquecível.
Os amigos que chegavam em sua casa, no Cosme Velho, apreciavam na ante sala um majestoso quadro cuja pintura era Amália Rodrigues, sua amiga que o presenteara. Ivon Curi era chamado de “Chansonier Brasileiro” lembrando o carisma de seu colega francês, Maurice Chevallier. Faleceu aos 77 anos de idade, no dia de São João, do ano de 1995, deixando quatro filhos e sua mulher, Ivone Freitas Curi.
Oduvaldo Cozzi
Oduvaldo Cozzi era paulista, e desde menino mostrava enorme interesse pelas atividades esportivas que aconteciam no Brasil. Dono de um pronunciar marcante, efetivo, Oduvaldo Cozzi mostrou sua vocação ao participar das grandes jornadas esportivas de várias emissoras.

Com muito talento para orientar seus colegas, Oduvaldo foi o primeiro diretor artístico da Radio Nacional.
No dia seguinte a sua inauguração, Oduvaldo Cozzi transmitiu a primeira atividade esportiva da emissora com o jogo Flamengo e Fluminense direto das Laranjeiras, além de informar aos ouvintes o desenrolar da partida entre Vasco da Gama e São Cristóvão e provas de atletismo. Esteve no Rio Grande do Sul e retornando para o Rio de Janeiro ficou durante muito tempo na Rádio Mayrink Veiga. Integrou o elenco da Radio Continental e logo depois trabalhou nas emissoras associadas.
Muito respeitado e admirado em seu tempo de radialista foi ele quem deu ao cantor Orlando Silva o apelido de “O Cantor das Multidões”, diante do sucesso que o ídolo fazia nesse tempo em São Paulo, atuando por condescendência de Oduvaldo, na época diretor da emissora da Praça Mauá.
Foi Oduvaldo Cozzi quem convenceu o artista Silvino Neto a abandonar a carreira de cantor de tangos como Pablo Duarte e tornar-se o grande humorista que fez o Brasil inteiro mais feliz.
Cozzi pertenceu a tevê Tupi do Rio de Janeiro. Tão grande foi sua importância em sua época e em seu trabalho que, após sua morte, o viaduto que fica no Maracanã, no Rio de Janeiro, em frente ao grande estádio, recebeu seu nome.
Simone Moraes
Simone Moraes (na foto com Arthur Costa Filho) é na realidade Risoleta Pires de Moraes Louzada. Nascida no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1923, no Colégio Militar, onde seu avô, o general Alfredo Odoarto de Moraes, era o comandante do tradicional educandário.
Certa vez, ouvindo o cantor Luiz Barbosa interpretar o samba “Risoleta”, de autoria de Raul Marques e Moacyr Barnardino, telefonou para a emissora onde ouvira a música e parabenizou o cantor, descobrindo depois que eram vizinhos no bairro da Tijuca. Ficou amiga da família, principalmente de dona Belinha, mãe do artista, além dos outros filhos, Barbosa Júnior e Henrique. Muito afinada e apadrinhada pelos dois filhos de dona Bela, estreou cantando na antiga PRA-9 ao lado de Bibi Ferreira, Carmélia Alves, Leda Barbosa e outras iniciantes iguais a ela.
Quando conheceu Armando Louzada, os dois se apaixonaram. O amor era tão intenso que Simone aceitou a proposta de casamento do conhecido radialista. Os dois casaram-se em 14 de fevereiro de 1942.

A conhecida canção de Bixio e Marchetti, composta no início do século passado, intitulada “Fascination”, ganhou letra pela primeira vez no Brasil pelas mãos de Louzada. A inspiração apaixonada tinha nome e sobrenome: era uma homenagem de Louzada a Simone Moraes. A música foi gravada com letra pela primeira vez no mundo na voz de Carlos Galhardo no ano de 1943. Simone Moraes, além de ter sido cantora e gravado musica até de Lamartine Babo, aceitou a sugestão do marido e rumou vitoriosamente para o radioteatro. Era uma profissional exemplar, e qualquer papel era desempenhado com dedicação. Contratada da Rádio Nacional, participou de todos os programas, do humorismo ao teatro sério. Na década de 60 foi convidada para atuar na TV Rio onde desempenhou com alegria os papéis nos quadros humorísticos dos programas “Noites Cariocas”, “Praça Onze”, ”O Homem e o Riso” e “Balança Mas Não Cai”, na Globo. Simone estava sempre alegre e era querida por todos. Esse é um perfil de Simone Moraes, a musa da letra “Os sonhos mais lindos sonhei/ De quimeras mil um castelo ergui”.
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