Caros amigos. Com esta Galeria do Rádio queremos homenagear os grandes nomes de nosso rádio e da cultura brasileira. As fotos aqui apresentadas, inéditas e raras, fazem parte do acervo particular de Osmar Frazão, e recuperam uma parte importante de nossa história. Ao todo, este acervo possui mais de 400 fotos, exclusivas, importantes, que aos poucos serão adicionadas nesta página. Com este trabalho, esperamos conseguir mostrar que a memória é eterna, assim como o trabalho, a dedicação e o brilhantismo destes artistas.

 

 

 

 

Aerton Perlingeiro

Se algum dia alguém escrever a história do rádio e da televisão brasileira, certamente seu nome será lembrado com todas as honras, adjetivado como apresentador, animador, produtor cultural, amigo da classe teatral brasileira e excelente corretor, que durante todo seu período artístico alimentou comercialmente todos os setores desse difícil departamento radiofônico.

Aerton – um anagrama do nome Antenor, de seu pai - deu aos filhos educação esmerada, como recebera do velho patriarca que o fez estudioso, bacharelando-se em Direito seguindo a uma tradicional família de jurisconsultos.

Aerton Perlingeiro nasceu em Macaé no dia 28 de dezembro de 1918 e entrou para o mundo artístico por seu próprio esforço, estreando na antiga Rádio Transmissora em 4 de outubro de 1942.

Logo depois foi para a Rádio Clube Fluminense e a seguir entraria para Rádio Club do Brasil, situada no Edifício do Cineac Trianon, na Avenida Rio Branco. Ali  criou e animou o programa “Fim de Semana” com a participação maciça do público aplaudindo os grandes cartazes da época no auditório da antiga emissora, trazendo consigo o seu primeiro programa: "Um tango e uma história para você". No carnaval lá estava o jovem animador em plena cidade com seus demais companheiros irradiando os desfiles das Grandes Sociedades, que nesse tempo desfilavam no Centro do Rio como o grande acontecimento carnavalesco brasileiro.

Ao final da década de 40 Aerton Perlingeiro recebe o convite da direção da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, antiga PRG-3, e vai para a emissora, situada na Av. Venezuela. E seu prestígio lhe permite ser eleito pelos cronistas como "O melhor animador de 1956", inclusive substituindo Ary Barroso com seu programa de calouros.

Aerton Perlingeiro, inquieto, amante daquilo que fazia, mesclara seu conhecimento radiofônico com a perspicácia de um bom corretor comercial, canalizando para si a confiança e o respeito dos patrocinadores. Com isso, resolveu abrir ainda mais o seu caminho artístico e aderiu também à televisão, o que fez com muito sucesso, chegando a  MIL (1.000) apresentações de seu Programa “A.P. Show” na TV Tupi - Canal 6, onde, para minha felicidade, fui o produtor dessa marca universal, coisa que sinceramente muito me envaidece. Essa glória aconteceu em 3 de julho de 1976.

Aerton Perlingeiro faleceu em 2 de novembro do ano de 1992 deixando um legado na música, no rádio e na televisão brasileira, onde prestou de coração inestimável participação pela cultura radiofonizada e televisada.

 

Nuno Roland

Nuno Roland foi um dos primeiros cantores contratados pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que abriu seus microfones no dia 12 de setembro do ano de 1936. No ano seguinte, já estava também fazendo parte da Orquestra de Simon Boutman no luxuoso Hotel Copacabana Palace.

Mas seu verdadeiro nome era Reinold Correia de Oliveira, catarinense de Joinville. O pseudônimo artístico recebeu de um dos diretores da Rádio Educadora de São Paulo, mas antes, por volta do ano de 1931, quando deixou o Exército em sua cidade, foi para Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, onde para se sustentar foi trabalhar como cantor, baterista e "cabaretier” de uma casa de jogos.

Estourando  a Revolução de 1932, Nuno Roland alistou-se como voluntário do Sétimo B.C. e, sem disparar um tiro, desembarcou em São Paulo, ocasião em que conheceu outro "soldado musical", tanto quanto ele, de nome Lupicínio Rodrigues, que aproveitou para incluí-lo como cantor da Jazz Band do Batalhão, substituindo-o de "tão dura missão".

- O maior galardão de minha vida foi o fato de ter servido como cabo do brioso Sétimo B.C. Assim como o de ter sido um dos primeiros a cantar as composições de Lupicínio Rodrigues, relembrava sempre Nuno.

Em 1934, tentando a sorte na Rádio Record, em São Paulo, recebendo pequenos cachês, despertou a atenção da rapaziada do Regional de Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) que o levou para à Rádio Educadora Paulista. Assinando contrato com a emissora e logo se destacando como um dos bons intérpretes da paulicéia, então ganha o seu nome artístico: Nuno Roland.

Seus registros musicais aconteceram nas gravadoras Odeon, Columbia, RCA Victor e Continental. Na emissora da Praça Mauá, conforme gosto de pronunciar: "a nossa antiga PRE-8," Nuno Roland foi um cantor de prestígio junto aos milhares de ouvintes, participando de todos os programas de ponta da querida emissora e, com os cantores Paulo Tapajós e Albertinho Fortuna, fez parte do afinadíssimo Trio Melodia.

Nuno participou de diversos filmes carnavalescos, foi aplaudido em vários carnavais com “Tem Gato na Tuba”, “Lancha Nova”, “Marujo no Samba”, “Serenata Chinesa”, “Mag, Inês e Ana”, músicas juninas e tantas outras como “Fim de Semana em Paquetá”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, e “Guarapari” de Pedro Caetano deixando bem clara sua participação  no elenco que fez a história musical do Brasil e da Rádio Nacional.

No dia 20 de dezembro do ano de 1975 depois de participar de muitas serestas pelo Brasil afora e muitos programas nas televisões brasileiras ele nos deixou .

Como acontece com todos os nossos verdadeiros valores apresentamos freqüentemente sua voz em nosso Programa Histórias do Frazão na Rádio Nacional aos domingos de 9h às 11h da manhã e segundas-feiras de 21h às 23h.

 

 

Renato Murce

 

Renato Murce, um dos pioneiros do rádio, nasceu no dia 8 de fevereiro do ano de 1900.

Produziu diversos programas, entre eles “Alma do Sertão”, mostrando através de poesias o valor do sertanejo na sua vida de homem simples e arrojado.

Renato Murce com seu irmão, Darío, formaram um conjunto musical no final da década de 20 denominado "Os Gaturamos" somente para cantar músicas regionais, visto que Renato foi um apaixonado pelo nosso folclore, sendo pioneiro desse tipo de programa radiofônico.

Iniciou no rádio em 1924, aceitando convite de Roquete Pinto para colaborar na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, portanto um dos primeiros da radiofonia brasileira e, como entusiasta dos movimentos líricos em nosso país, foi eleito “O Principe dos Cantores Regionais do Brasil” no ano de 1930.

Lançou os compositores J. Cascata e Leonel Azevedo com bonitas canções na Rádio Club do Brasil que logo se destacariam na voz de Orlando Silva. Nessa emissora o apresentador Cesar de Alencar iniciou sua atividade como locutor comercial de seus programas. Quando Renato Murce tranferiu-se para a Rádio Nacional, o levou junto. Renato foi o criador do programa “Papel Carbono”, por onde passaram Chico Anísio, Agnaldo Rayol, Angela Maria, Doris Monteiro, Alaíde Costa, Baden Powell e outros que se consagrariam no mundo artístico. 

Era um programa interessante que servia de "escada" para os aspirantes à radiofonia brasileira exibirem-se no palco da Radio Nacional sua vocações aos domingos, com a participação coadjuvante de Terezinha Nascimento, a Miss Mary (secretária), quando então ás 22 horas encerrava-se a trilha de sucesso da programação dominical da antiga PRE-8. Anos mais tarde, “Papel Carbono” seria apresentado na TV Tupi do Rio de Janeiro, prestigiado por J. Silvestre.

Renato Murce também criou "Piadas do Manduca", um humorístico, radiofonizado e encenado com Sara Nobre, Lauro Borges, Eliana - bonita atriz de cinema, com quem se casou -, Alredo Viviane e outros artistas do cast da Rádio Nacional, programa esse que seria levado para a TV Rio na década de 60 com o mesmo prestígio radiofônico.

Lançou o livro “Bastidores do Rádio”, no Teatro Opinião, em 1976, em noite movimentada pelos inúmeros admiradores, como eu, para receber do "velho homem do rádio" sua assinatura firme e vitoriosa, edificada pelo que fez de bom no rádio brasileiro.

Renato Murce faleceu no dia 26 de janeiro de 1987.

 

Bob Nelson

 

Bob Nelson na realidade chamava-se Nelson Perez. Como gostava de cantar, começou como crooner da Orquestra Julinho e do grupo vocal Cacique. Mas, um dia, depois de assistir ao filme intitulado "Idílio nos Alpes" em sua cidade, Campinas, no interior de São Paulo, ao sair do cinema passou a conversar de brincadeira com um amigo que ficava no outro lado da calçada à maneira das montanhas do Tirol, como fazia o ator Gene Autry no filme. Logo chamou a atenção de todos aqueles que saiam do cinema, admirados com a facilidade dele em "tirolear". Incentivado pelos amigos, seguiu em frente.

Certa noite na cidade de Taubaté, também no interior de São Paulo, pediu que o deixassem cantar no serviço de alto falante da cidade a canção "country" que ele adaptara, de autoria de Stephen Foster, intitulada "Óh! Suzana", que tinha sido cantada no filme. Naquele momento, sentiu que a "coisa" ia dar certo. E, mais animado, resolve fixar residência em São Paulo e participando de quase todos os programas de calouros, e vencendo a todos, desperta em Dermival Costa Lima o interesse em contratá-lo para a Rádio Tupi e batizá-lo como Bob Nelson.

Nesse tempo o diretor das Emissoras Associadas, Assis Chateaubriand, querendo homenagear o oficial comandante da marinha americana, General McArthur, mandou que Bob comprasse uma roupa de cowboy na loja Sloper para a dita apresentação. E lá estava o Bob Nelson pronto, de esporas e tudo, recebendo um efusivo abraço do americano, ao cantar “Oh! Suzana”, e a puxar pela garganta o tão esperado "ô tiroleí-ti”, “ô tirolei-iti". Cantou no Cassino Atlântico a convite de Ziembinsky, ao lado de Libertad Lamarque, primeira dama da música argentina, de Gregório Barrios e de Os Namorados da Lua.

Depois, a convite de Haroldo Barbosa, ingressou na Radio Nacional sendo muito bem recebido por seu diretor, Victor Costa, e ali se consagrou definitivamente.

Deve-se a ele a introdução de Luiz Gonzaga na Rádio Nacional, que até então tocava no Cabaré Novo México, situado na Lapa, a troco de gorjetas. Bob o levou para ser inicialmente seu acompanhante, tocando o seu acordeon, instrumento que o ajudou em suas cantigas chegar ao pináculo, tornando-se o maior ídolo da história da música nordestina em todo o Brasil. Individualmente foram incomparáveis.

BobNelson foi um encantador, um ídolo infantil, não houve menino que não tentasse imitá-lo. Participou também como ator no filme “Este Mundo é um Pandeiro” cantando e alegrando várias gerações. Foi um ícone respeitado e admirado por todos aqueles que o conheceram, podendo-se dizer que foi um artista justo e perfeito! Tive o prazer de participar de seu depoimento para à posteridade no Museu da Imagem e do Som.

Bob Nelson nasceu em 12 de outubro de 1919 e dormiu suavemente no dia em 28 de agosto de 2009.

 

Nelson Gonçalves

 

Nelson Gonçalves foi um dos melhores cantores da história da música popular brasileira, juntando-se a Francisco Alves, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas e Orlando Silva. Aliás, Nelson iniciou sua carreira imitando Orlando, e nunca escondeu essa similaridade em suas primeiras gravações, dando-lhe, contudo, chance de emergir e mostrar sua verdadeira personalidade musical, tornando-se um dos mais admirados cantores por várias gerações.

No inicio foi difícil acreditar que aquele jovem franzino, de extrema deficiência vocal, pudesse abrir a boca para ser cantor, sendo colocado em dúvida seu comportamento ao tentar convencer o diretor da gravadora, que era realmente um intérprete a procura de uma oportunidade, isso dito na mais "séria" e hilariante gagueira mesmo com a prova de um disco gravado amadoristicaente cujo título era: "Se Eu Pudesse Um Dia", de Orlando Monello e Osvaldo França. Salvo pela intervenção de Benedito Lacerda, o diretor Victor Lattari, pela desconfiança, quase foi agredido pelo cantor.

“Sinto-me Bem”, de Ataulfo Alves, e “Renúncia”, de Roberto Martins e Mário Rossi, marcaram sua presença na música popular, gravações acontecidas nos anos de 1941 e 42, Daí para frente, Nelson Gonçalves fez-se presente em quase todas as paradas musicais brasileiras. Pertenceu ao elenco do primeiro "time" de cantores da Rádio Nacional, gravou centenas de discos 78 RPM e long plays. Sua ESTRELA era acesa e apagada por ele mesmo.

Gravou diversos sucessos carnavalescos, viajou por todo o Brasil, recebeu o aplauso de platéias internacionais e de todo movimento jovem que surgiu. Nelson Gonçalves foi um marco na história da música popular brasileira nas duas fases de sua carreira. Antes e depois de conhecer aquele que viria a ser seu grande amigo, o compositor Adelino Moreira, no ano de 1952, quando passou a gravar quase que com exclusividade suas canções, chegando mesmo a atingir a soma de dois milhões de cópias vendidas ao gravar "A Volta do Boêmio", no ano de 1956.

Sua carreira de cantor foi extensa, ultrapassou cinco décadas...é uma história que não pode ser contada nesse resumo emocionado.

Nelson Gonçalves nasceu no dia 21 de junho de 1919. Gaúcho, seu verdadeiro nome era Antonio Gonçalves, e faleceu no dia 18 de abril de 1998.

 

Augusto Calheiros

 

Augusto Calheiros foi um dos mais brasileiros intérpretes de nosso cancioneiro popular. Com sua voz aguda e afinada, impunha-se pela valorização de seu repertório, que teve início na década de 20, quando aqui chegou em companhia de um grupo de rapazes oriundos de Recife para conquistar a cidade do Rio de Janeiro. A grande chance seria um concurso instituído pelo jornal Correio da Manhã e promovido por uma de sua mais lidas colunas, denominada Coisas Nossas.

No Largo da Carioca, em frente à redação do jornal, o grupo de Augusto que tornar-se-ia conhecido na Cidade Maravilhosa com o nome de Turunas da Mauricéia se destacou ao cantar a embolada intitulada “Pinião”, de sua autoria e de Luperce Miranda, cantada pelos alegres foliões do ano de 1928. Com a ótima repercussão de seu desempenho, obtiveram também pela novidade de trazida pelos novos ritmos e pela forma regional de interpretar suas canções, a atenção de uma das poucas emissoras existentes no Rio de Janeiro daquela época: a Rádio Club do Brasil, que focalizou com denodo sua estada em nossa capital.

Augusto Calheiros nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 5 de junho de 1891. Logo depois foi morar em Recife e conviver com os rapazes da família Miranda, todos eles músicos executantes de instrumentos de corda, entre eles Luperce Miranda que o convidou a integrar como cantor o grupo batizado de Os Turunas da Mauricéia. Nasceu daí a denominação de “A Patativa do Norte”, que ele trazia na aba de seu chapéu. Aliás, todos os integrantes traziam seus apelidos nas abas de seus longos chapéus de palha, para que fossem identificados pelo público: Riachão, Guajurema, Bronzeado e Periquito. Tempos depois, alguns integrantes do Turunas da Mauricéia retornaram para Pernambuco, com exceção de Augusto e Luperce, que ficaram para vencer.

Dentre as músicas que fizeram com que voz de Augusto Calheiros se tornasse uma das mais marcantes de nosso cancioneiro podemos lembrar, de Freire Junior, “Revendo o Passado”; de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão, “Chuá Chuá”; a canção de Erotides de Campos e Jonas Neves conhecida como “Ave Maria” teve em sua voz a consagração do público, visto que fora gravada anteriormente por Pedro Celestino, irmão de Vicente, mas que não tinha sido percebida pelo público exigente dessa época. Portanto sua interpretação comovida impulsionou-a ao sucesso até aos dias de hoje.

Augusto Calheiros participou da famosa Casa de Caboclo, teatro de motivos regionais, ao lado de Dercy Gonçalves, Zé da Zilda e mais artistas que despontaram no cenário teatral e musical de nossa terra. Teve a amizade de Henrique Foreis Domingues, o Almirante, e abrilhantou o elenco da antiga PRG-3, a Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Calheiros morreu pobre no dia 11 de janeiro de 1956 deixando para todos nós que amamos a música popular brasileira um legado rico de interpretações musicais lembradas em todo Brasil.

 

Joel e Gaúcho

 

No ano de 1930, um carioca e um gaúcho formaram uma dupla musical formidável que chamou a atenção para aquele início de década no rádio, que iniciava sua evolução a partir do ano de 1933, quando foi permitida a comercialização em suas emissoras. Joel de Almeida e Francisco de Paula Brandão Rangel, esse também violonista, foram logo percebidos pela aguçada visão artística de Renato Murce, que os levou para a Rádio Philips do Brasil. Nesta rádio, eles integraram o elenco cantando durante dois anos, até a chegada de Cesar Ladeira, vindo de São Paulo, para dirigir a Rádio Mayrink Veiga. César vinha cheio de idéias para uma programação adequada ao rádio e mexendo em toda sua estrutura artística, inovando e valorizando a classe. César deu contratos de responsabilidade e, dentro dessa novidade, convidou a dupla Joel e Gaúcho que logo foi bem sucedida conquistando os ouvintes com suas magníficas interpretações. O sucesso valeu do diretor o batismo de “Os Gêmeos da Voz”.

Gaúcho foi um artista recatado, mas Joel, além de cantor, era um bom boêmio. Participava das noitadas no Café Nice com Noel Rosa e demais amigos e nos arredores da cidade onde houvesse qualquer manifestação de alegria e muito chope. Joel e Gaúcho eram elegantes em suas apresentações e deixaram gravadas músicas inesquecíveis como: “Aurora”, de Mario Lago e Roberto Roberti; “Cai-Cai”, de Roberto Martins, “Pierrot Apaixonado”, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, todas traduzidas em verdadeiros sucessos carnavalescos. Alcançaram êxito também com músicas de meio de ano, como “Canção Prá Inglês Ver”, de Lamartine Babo, “Uma Pedra que Rolou”, de Pedro Caetano, “Estão Batendo”, de Gadé e Walfrido Silva e outras mais.

A dupla atuou em diversos filmes carnavalescos, entre eles: “Alô,Alô Carnaval!”. Com a dupla desfeita, em 1952, Joel continuou a cantar sozinho, participando de peças de teatro de revistas, batendo em seu chapéu de palha, marcando ritmo do samba e despontando com sucessos carnavalescos. Os dois uniram-se mais uma vez em 1962 para gravar, em disco long play, uma série de músicas que marcaram suas presenças admiráveis na canção popular brasileira. Ambos já não se encontram mais entre nós, resta-nos a animada lembrança de um tempo chamado de “saudoso”.

 

 

Francisco Carlos

 

Francisco Carlos Rodrigues Filho iniciou sua carreira radiofônica atuando na Rádio Tamoio no ano de 1946 e com o decorrer do tempo firmou-se como cantor com destacada atuação na Rádio Nacional, tornando-se um dos ídolos da juventude das décadas de 50 e 60.

Porém seus primeiros registros musicais ocorreram no ano de 1949 na gravadora Star e, em seguida, ele seria contratado pela RCA Victor. Francisco Carlos gravou para a festa de Momo de 1950 a marcha “Meu Brotinho”, de Luiz Gonzaga e Umberto Teixeira, com enorme repercussão nesse animado carnaval.

De muito boa aparência, foi convidado pela Atlântida Cinematográfica para participar com destaque no filme “Carnaval no Fogo” e outros que viriam com muito sucesso ao lado de Cyl Farney, Oscarito, Emilinha Borba, José Lewgoy e Grande Otelo. Seu carisma trouxe para junto de si uma legião de admiradoras, ensejando a direção da Rádio Nacional contratá-lo imediatamente, chegando mesmo a se tornar um dos campeões de correspondência da emissora.

Troféus e títulos como Rei do Rádio, O Cantor Mais Querido do Brasil, Revelação do Ano e outros mais deram-lhe a popularidade merecida de um artista correto em suas apresentações e admiradíssimo quando apresentado no auditório da antiga PRE-8 pelo Cesar de Alencar em seu programa aos sábados que o chamava de "EL Broto". Francisco Carlos liderou paradas de sucesso com gravações bem selecionadas em vários ritmos e teve a mesma exuberância como artista plástico. Alguns de seus quadros ficaram em exposição em pinacotecas no Brasil e no exterior.

Francisco Carlos nasceu no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1928 e faleceu no dia 19 de agosto de 2003.

 

Herivelto Martins

 

Não se pode falar de música popular sem lembrar nomes que inundaram nosso país com canções inesquecíveis e um deles é Herivelto Martins, cantor e compositor inspiradíssimo que alegrou nossa cidade na popularização de nosso cancioneiro.

Herivelto nasceu na simpática cidade de Paulo de Frontin, antiga Rodeio, em 30 de janeiro do ano de 1912. Mas no início da década de 30 Herivelto já estava em nossa cidade fazendo coro para a gravadora RCA Victor, ouvindo sua primeira composição gravada intitulada “Da Cor do Meu Violão”, cantada por J.B. de Carvalho e Coro Tupi. Com outro companheiro do grupo, de nome Francisco Sena, formou a “Dupla do Preto e do Branco”, em alusão a tez de ambos. Com o falecimento de Francisco Sena, a dupla passou a ser formada com Nilo Chagas.

Em 1936, Herivelto conheceu Dalva de Oliveira no Cine Pátria, que ficava situado em Triagem, formando um trio com ela e Nilo Chagas. O conjunto vocal, que se tornaria uma lenda na Era do Rádio, foi batizado por Cezar Ladeira:

- Dalva de Oliveira e a Dupla do Preto e do Branco, que formam o TRIO DE OURO !

Herivelto e Dalva casaram-se em 1938 e tiveram dois filhos: Pery Ribeiro e Ubiratan Martins. Em 1950, desfeito o casamento, ganhou espaço uma polêmica pessoal e musical, cujo resultado foram músicas inesquecíveis. Com a saída de Dalva, que prosseguiu em carreira solo, e depois com a saída de Nilo Chagas, Herivelto deu continuidade ao Trio de Ouro, que teve outras formações, contando com os nomes das intérpretes Noemi Cavalcanti, Lourdinha Bittencourt e Raul Sampaio, respectivamente.

É imensa a bagagem de sucessos de Herivelto: “Ave Maria no Morro”, “Praça Onze”, “Caminhemos”, “Hoje Quem Paga Sou Eu”, “Carlos Gardel” etc. Campeão de vários carnavais, Herivelto teve suas músicas gravadas pelos mais prestigiados intérpretes da música popular brasileira, incluindo evidentemente o Trio de Ouro, o primeiro no mundo a ser formado por duas vozes masculinas e uma feminina, conforme ele mesmo gostava de dizer.

Uma emissora de televisão tentou persuadir o público a entendê-lo como um algoz da grande cantora que fora sua paixão, num seriado onde sua personalidade foi mantida na mesma idade que quando a conhecera; ele um jovem e simples barbeiro, que trocara o fio da navalha pelo fio de seu violão, esquecendo que compusera nova e feliz vida conjugal com sucesso.

Herivelto recebeu centenas de homenagens, e uma delas foi no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no show denominado “Seis e Meia”, quando completou 50 Anos de vida artística. A festa, da qual tive o prazer de participar, foi comemorada ao lado de Grande Otelo. Juntos, tivermos o prazer de  relembrar os velhos tempos do Café Nice juntamente com seus filhos, Herivelto Martins Filho, Iaçanã Martins, Pery Ribeiro e Ubiratan Martins.

Herivelto Martins faleceu em 17 de setembro de 2002, e foi velado na Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro.

 

 

Ruy Rey

 

Ruy Rey chamava-se na realidade Domingos Zeminian, nascido em São Paulo onde, desde menino, gostava de cantar. Cresceu, e como a vontade de cantar só aumentava, foi à luta como todos aqueles que acreditam em si. Começou cantando em cabarés e outras casas noturnas até chegar a "crooner" da Orquestra dos Irmãos Cópia. Em 1940, Domingos entrou para a Rádio Tupi de São Paulo, apresentando-se com o nome de Domingos Lima. Depois atuou nas rádios Difusora e Kosmos, participando também como saxofonista da Orquestra Século XX, de J. França.

Domingos chegou ao Rio de Janeiro no ano de 1943 para cantar no Cassino Atlântico. De pronto aceitou o convite do produtor e compositor Haroldo Barbosa para integrar o elenco da Rádio Nacional. Gravou músicas de sua autoria, inclusive a rumba intitulada “Naná”, em parceria com Rutinaldo, obtendo imediato sucesso.

Com o imenso prestígio que conferia-lhe a Rádio Nacional, disparada na audiência frente às concorrentes, Domingos aproveitou a oportunidade para criar, no ano de 1948, a sua própria orquestra, passando a ser reconhecido pelo público como Ruy Rey. O objetivo era apresentar músicas latino-americanas, viajando por todo o Brasil e realizando dezenas de bailes nos mais importantes clubes do país. Firmou-se neste gênero de músicas e ritmos latinos e brasileiros, alcançando enorme sucesso.

Ganhou do apresentador Cesar de Alencar a cognominação de "O Cantor Querido da Las Americas". Gravou muitos discos, fez sucesso em vários carnavais e foi um dos ganhadores dessa festa momesca ao gravar, para o carnaval de 1949, a marcha “A mulata é a tal”, de João de Barro e Antonio Almeida. A canção era uma homenagem à vencedora de um concurso para eleger a mulata mais bonita do programa Trem da Alegria, na época apresentado na Rádio Mayrink Veiga pelo Trio de Osso, formado por Heber de Bôscoli, Iara Sales e Lamartine Babo. A mulata-rainha chamava-se Maria D’Aparecida, que mais tarde tornou-se conhecida na Europa como cantora lírica.

Ruy Rey participou de inúmeros filmes da Atlântida, ora cantando ora atuando com sua orquestra já conhecida em todo Brasil.

Ruy Rey nasceu no ano de 1915 e faleceu em 1995.

 

Almirante

 

Ninguém poderá contar histórias do rádio e da música popular brasileira sem lembrar o nome de Henrique Foreis Domingues, conhecido e respeitado no mundo artístico como Almirante.

Morador no bairro de Vila Isabel, foi amigo de Noel Rosa e com ele integrou, ao lado de Carlos Alberto Ferreira Braga, o João de Barro, que viria a ser seu cunhado, Alvinho e Henrique Brito, o famoso conjunto musical “Bando de Tangarás”.

Almirante deixou bem clara as suas idéias e convicções desenvolvendo-as através dos microfones das rádios Phillips, Transmissora, Nacional, Clube do Brasil, Tupi e Globo, por onde passou e se manteve iluminado com seu acervo, uma paixão que trazia consigo desde a infância ao colecionar tudo de interessante capaz de traduzir para terceiros a cultura e a credibilidade das coisas.

É de sua criação os programas “Curiosidades Musicais”, “Orquestra de Gaitas”, “Canção Antiga”, “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, “História das Danças”, “Campeonato Brasileiro de Calouros”, “Tribunal de Melodias”, “Pessoal da Velha Guarda”, “Recolhendo o Folclore” e tantos outros.

Sobre Noel Rosa, Almirante transmitiu inúmeros programas, incluindo uma série de 12 capítulos na Revista da Semana, com a vida e a obra do Poeta da Vila.

Almirante fez-se destacar em todas as emissoras que trabalhou, por seu dinamismo e permanente sucesso no que se propunha realizar. Seu acervo foi incorporado ao patrimônio do Estado do Rio de Janeiro e serve de estudos para pesquisadores que comparecem ao Museu da Imagem e do Som.

Em um país tão sem memória como o nosso, deve-se a Almirante, a maior patente do rádio brasileiro, a luz acesa sobre o nome de Noel Rosa e a História da Música Popular Brasileira, e também, à chamada para todos aqueles que vieram depois para respeitar nossos históricos costumes musicais.

 

Jorge Paiva

Na foto acima aparece o pianista Jorge Paiva, pianista de extrema simpatia que acompanhou durante muitos anos executando ao piano, os ritmos para exercitar pelo rádio a famosa Hora da Ginástica criada pelo Professor Osvaldo Diniz Magalhães.

Pertenceu a diversas emissoras de rádio e participou na televisão Tupi acompanhando calouros em programas especializados, sendo o primeiro a colaborar com Chacrinha em seus movimentados programas.

Na mesma emissora participou da famosa “Boite do Ali Babá e os 40 Garçons”, acompanhando e dando o toque sutil necessário para o encerramento de piadas no tempo em que ainda não existia o vídeo tape. Era irmão do grande baterista Sut Chagas.

 

João da Baiana

 

João da Baiana era, em certidão e papel passado, João Machado Guedes. E era carioca, apesar de todos da família terem nascido na terra de Castro Alves. Foi uma das criaturas mais queridas que conheci. Simplesmente educado, sorridente, tratava a todos como "meu sobrinho”, palavras que certamente colheu de seus antepassados e as acolheu, seguindo o rumo do respeito a todos.

O apelido João da Baiana veio porque sua mãe era baiana, conhecida por “tia Presciliana”. Como seus avós tinham uma quitanda de artigos afro-brasieiros no Largo da Sé, mais tarde Largo dos Pracinhas, então o pequeno moleque, mais um João entre tantos, passou a ser chamado de “o João da Baiana”, para destacar de outros meninos que tinham o mesmo nome e eram filhos do seu fulano, seu sicrano e outros mais. João Machado Guedes  foi criança junto com Heitor dos Prazeres, Donga. Junto com esses amiguinhos conheceu todos os segredos do samba nascido na Praça Onze.

Era uma conversa sensacional. Quando era chamado para falar de seu tempo e de todos os ritmos surgidos na época, ele contava que a polícia prendia quem estivesse portando um violão ou um pandeiro. Heitor dos Prazeres admirava seu talento como pandeirista. Ele próprio tinha sido uma das "vítimas" desse preconceito existente no início do século passado. Porém, no ano de 1908, veio, afinal o reconhecimento: o senador Pinheiro Machado, importante figura da República, presenteou-lhe com um pandeiro com a indisfarçável recomendação inscrita no instrumento: "A minha admiração, João da Baiana - Senador Pinheiro Machado". Era uma espécie de Habeas Corpus para carregá-lo sem ser importunado pela polícia. João o introduziu no samba, com destreza e maestria, no tempo em que era tocado somente em orquestras.

João da Baiana nasceu em 17 de maio de 1887, no Distrito de Santa Rita. Seu batismo foi realizado na Paróquia de Sant'Anna. Conheceu todos os segredos das danças realizadas nos terreiros da Praça Onze, e foi um dos responsáveis pela interpretação e pela inclusão destes pontos do candomblé e das canções entoadas nos terreiros na canção popular brasileira.

É autor de diversos sambas, entre eles “Mulher Cruel”, “Pedindo Vingança”, “Cabide de Molambo”, “Deixa Amanhecer” etc. Integrou a Turma da Velha Guarda, participou do inicio do rádio e evidentemente conheceu todos as transformações ocorridas nesta cidade,

Participou de diversos programas para a televisão incluindo “Era Uma Vez no Carnaval”, produzido por Almirante e dirigido por Artur Faria na TV Tupi, em 1963. João da Baiana faleceu no ano de 1974.

 

Bidu Reis

 
Artista na expressão da palavra, essa é Bidú Reis, um misto de cantora, compositora, sapataeadora, escritora, poetisa, e atriz, partícícipe de vários filmes brasileiros. Radioatriz com participação na Rádio Nacional. Chama-se na realidade Edila Luiza Reis, nascida em nossa cidade no dia 5 de março de 1920. Estreou publicamente acompanhada ao piano por sua mãe no cinema Verderosa, em Nova Iguaçú, quando tinha apenas oito anos de idade.   
Em 1934, animada por ouvir um programa para juventude na Rádio Cruzeiro do Sul, lá compareceu e foi logo aprovada como cantora. Amiga de Emilinha Borba desde a infância, aproveitou que a amiguinha também cantava na emissora e com ela formou a dupla As Moreninhas.
Foram para a Rádio Mayrink Veiga e, no final da década de 30, a dupla se desfez, mas a amizade continuou e Emilinha Borba mais tarde gravaria suas músicas.
Em 1939, foi contratada pela Rádio Nacional. No ano de 1942, ocorre um dos fatos mais importantes de sua carreira: a formação do trio vocal As Três Marias, criado por José Mauro para a sustentação musical do Programa "Um Milhão de Melodias". O trio era formado por Bidu Reis, Marilia Batista e Salomé Cotelli, logo substituida por Regina Celia. A primeira gravação foi vocalizando a musica de H. Martins e A. Cabral intitulada "Bom Dia", gravada com muito sucesso por Linda Batista. A seguir, o trio seguiu vocalizando para o "Rei da Voz", Francisco Alves, nos foxes: "Céu Cor de Rosa" e "Quantas São?".
Bidu Reis foi contratada pela Rádio Globo para cantar músicas americanas e, paralelamente, convidada pelo Maestro Severino Araújo, aceitou o convite para ser cantora dessa orquestra fenomenal que leva o nome do popular maestro. Gravou músicas sozinha e retornou a Rádio Nacional em 1949, estreando como compositora na versão de Elizabeth Moore, Lippman e Silvia Dee e por ela adaptada com o titulo "Lili Bolero", gravada por Marion. Convidada por Haroldo Barbosa colocou  melodia em "Bar da Noite" grande sucesso na voz de Nora Ney, ganhando o prêmio de Revelação do Ano de 1953 como compositora e, no ano seguinte, com 98.185 votos foi eleita a Rainha dos Músicos do Rio de Janeiro.
Tem músicas gravadas nas mais importantes vozes de nosso cancioneiro popular como Vicente Celestino, Emilinha Borba, Angela Maria, Elizeth Cardoso, Silvio Silva, Dalva de Andrade, Ademilde Fonseca, Lucio Alves, Abilio Lessa, entre outros.
É sem duvida uma brilhante referência do rádio brasileiro.

 

Jorge Veiga

 

Jorge Veiga estreou no rádio em 16 de maio de 1934 no programa de Pedro Carvalho na Rádio Educadora do Brasil. Depois, foi para a Mayrink Veiga, Transmissora e Nacional, onde se apresentava no programa “Ora Bolas”, animado por Silvino Neto ganhando seus cachês para o sustento da família. Deixava assim o pincel de paredes para dedicar-se exclusivamente à musica.

Certa vez cantou na “Hora do Brasil” quando o professor Osvaldo Diniz Magalhães era o locutor desse programa. Em 1938 assinou seu primeiro contrato, foi com a Rádio Transmissora. Viajou por todo o Brasil, trabalhou em teatros de revista fazendo parceria com o cômico Colé e finalmente foi parar na Rádio Tupi para cantar nos programas de Manoel Barcelos e Paulo Gracindo, que lhe rebatizou como o "Caricaturista do Samba". Jorge Veiga foi vencedor de vários concursos carnavalescos, ingressando na Rádio Nacional tornou-se um dos mais populares cantores de samba do país.

Jorge comprou uma casa muito grande na Rua Honório, numero 805, no Cachambi, subúrbio do Rio de Janeiro. O imóvel, que pertencera a Luiz Carlos Prestes, por causa de Jorge, essa via pública passou imediatamente a ser identificada como "a rua onde mora o Jorge Veiga".

Jorge Veiga usava as seguintes palavras antes de cantar seu número musical diante do microfone da antiga PRE-8:

- Alô, Alô Aviadores do Brasil, aqui fala o Jorge Veiga diretamente da Rádio Nacional! Dêem seus prefixos para a guia das nossas aeronaves. -  E, por esse motivo, ganhou brevê de Aviador Honorário das Forças Armadas.

Veiga não gostava de ouvir da boca do cantor Déo a brincadeira:

-Você só é “honorário” porque mora na rua Honório!

 

Francisco Alves

 

Francisco Alves foi cantor, compositor e violonista. E dos bons. Poderia ser descrito apenas assim, se não fosse um dos maiores, talvez o maior, cantor brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro no dia 19 de agosto de 1898, em seu registro de casamento, realizado no dia 20 de maio de 1920, consta o ano de 1897. Francisco Alves nasceu ao apagar das luzes do velho século e viu a nova cidade do Rio de Janeiro surgir e crescer junto com aquele menino que, nascido à rua Conselheiro Saraiva, no centro do Rio de Janeiro, mais tarde seria aclamado como "O Rei da Voz".

Foi eleito Rei do Rádio em grande festa realizada no Teatro João Caetano no ano de 1941, ao lado de Linda Batista, eleita a Rainha do Rádio. Desfrutou de imenso prestígio na canção popular, impulsionou a carreira de vários cantores, incluindo Orlando Silva quando o lançou em seu programa na Rádio Cajuti, no dia 23 de junho de 1934. Sua carreira  discográfica é inigualável, gravou 383 sambas, 166 marchas, 124 valsas, 104 foxes, 96 canções, 33 tangos, 16 maxixes,11 modinhas, nove boleros, nove toadas, seis cateretês, dois charlestons, dois choros e mais 19 gravações de ritmos variados. Foi quem mais gravou discos no Brasil.

É de sua voz a gravação original de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, gravada no dia anterior ao seu aniversário, no ano de 1939.

Chico Alves gravou todos os importantes compositores de seu tempo, venceu inúmeros carnavais com sambas e marchas, gravou em dueto com Mário Reis na década de 30, gravou a primeira composição denominada "marcha", de autoria de José Barbosa da Silva, o Sinhô, intitulada “Pé de Anjo”, participou de vários filmes brasileiros e manteve estreita ligação com pessoas influentes de seu tempo. Foi um líder nato, sua carreira foi encerrada após 35 anos ininterruptos, causando em todo o Brasil enorme tristeza quando de seu desaparecimento e  assinalando até aquela data, o maior enterro concorrido com a presença de mais de 50 mil pessoas. Pertenceu a diversas emissoras de rádio e, no ano de 1941, assinou contrato com a Rádio Nacional, em que ficou até o fim de sua vida. Não se pode falar em música popular no Brasil sem que seu nome não seja lembrado e porque não dizer festejado.

Francisco Alves teve sua carreira encerrada no dia 27 de setembro de 1952 em trágico desastre automobilístico, quando vinha de São Paulo para o Rio de Janeiro.

 

Emilinha Borba

 

A paixão é coisa que acontece no interior de cada um de nós, sem específica idade, vivência ou sabedoria. Foi exatamente o que aconteceu no coração de centenas de milhares de ouvintes em relação à Emilinha Borba, artista carismática, bonita, graciosa, que teve participação importante na cultura popular de nosso país.

No cinema, atraiu milhares de espectadores para vê-la como atriz e cantora, quando o rádio entrava no apogeu na década de 40.

Emilia Savana da Silva Borba é seu  nome completo e é lembrada para sempre como “A Eterna Rainha do Rádio”, e dos auditórios radiofônicos. Iniciou carreira cantando na Rádio Cruzeiro do Sul, formando com a amiga e compositora Bidú Reis a dupla As Moreninhas. Foi levada por Carmen Miranda para cantar no Cassino da Urca, depois pertenceu à Rádio Mayrink Veiga, em seguida para o elenco da Rádio Nacional no início dos anos 40, onde ficou durante 27 anos. Gravou centenas de discos em vários ritmos e, sem dúvida alguma, Emilinha Borba foi a maior vencedora dos carnavais brasileiros como intérprete, além das dezenas de concursos dos quais participou realizados por jornais, revistas e televisões brasileiras.

Emilinha disputou com a cantora Marlene em popularidade radiofônica, sempre saindo-se vencedora, com exceção do concurso para eleger a Rainha do Rádio do ano de 1949. Sem saber, uma forte companhia de refrigerantes "bancou" sua rival com um cheque em branco para cobrir qualquer número de votos que a ultrapassasse, surgindo então a famosa "rivalidade" criada pelos admiradores de cada cantora, com seus famosos fãs clubes. No ano seguinte, Emilinha ganhou disparado o concurso promovido pela A.B.R. para a construção  do Hospital dos Radialistas. Foi eleita Rainha da Marinha e mais de uma dezena de instituições governamentais.

“Chiquita Bacana”, composição de João de Barro e Alberto Ribeiro, deixou em sua voz a perenidade da animação do carnaval brasileiro daquele tempo e, nas composições de João Roberto Kelly, a modernidade dos novos carnavais. Tamanha importância tem a cantora nessa festa que, reconhecida pelo grande público, recebeu as homenagens da gloriosa Escola de Samba de Pilares, colocando-a como seu enredo no ano de 1980 e de todos os segmentos carnavalescos de todo o Brasil.

Vinte e cinco anos depois de ter sido homenageada pelo enredo da escola de samba do bairro de Pilares, retorna para ser  lembrada no canto da renomada Escola de Samba Leão de Nova Iguaçú  no enredo “Na Magia do Palco da Vida, Emilinha Borba, Rainha do Brasil”!

Emilinha Borba, ainda levando uma grande multidão nos dias de Momo na Cinelândia, em show produzido por mim, ali finalizou seu carnaval, vindo a falecer no dia 3 de outubro do ano de 2005.

Hoje sua memória permanece viva através de suas gravações e, principalmente, pelos "jovens idosos".  Fãs de todo o Brasil, tendo a frente o sr. Mário Marinho, presidente do fã clube que leva o nome da cantora, aplaudida há mais de sessenta anos de vitoriosa carreira artística.

 

Sadi Cabral

 

Sadi de Souza Leite Cabral, eis o nome completo de um artista que deu muito de si ao teatro brasileiro, um apaixonado pela arte de representar. Participou de mais de cinqüenta e nove filmes rodados em todo território nacional, enfim,  uma carreira extensa na cinematografia brasileira.

Desde menino, em Maceió, onde nasceu no dia 10 de setembro de 1906, já manifestava sua vontade de representar. Vindo para o Rio de Janeiro, bem jovem, freqüentou com muita aplicação a Escola Dramática Nacional, e foi um dos pioneiros da radiofonia carioca trabalhando na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro a convite de Roquete Pinto. “Bonequinha de Seda” foi seu primeiro trabalho como ator no cinema, no ano de 1936.

Estudou dança e coreografia com Nemanoff e Maria Olenewa, do Teatro Municipal. Sadi Cabral participou do elenco de Lucila Perez, Oduvaldo Vianna, Leopoldo Froes, Procopio Ferreira e de outras prósperas companhias teatrais.

Pertenceu ao cast radiofonico da Rádio Tupi do Rio de Janeiro e de São Paulo, dirigiu o radio-teatro da Rádio Ministério da Educação (MEC) com sucesso.

Convidado permanente do elenco das novelas das televisões Tupi, Excelsior e Globo, Sadi Cabral deixou sua trajetória artística marcada pelo sucesso em suas apresentações, porém como a maioria de nossos artistas terminou seu trajeto no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, entidade assistencial com a qual ele próprio colaborou e muito.

Aproximados pela atriz Ítala Ferreira quando atuavam no Teatro Rival, Sadi Cabral fez parceria com o compositor Custódio Mesquita, surgindo então as bonitas canções “Velho Realejo”, “O Pião”, “Mulher” entre outras.

O jovem empresário João Flavio Lemos de Moraes, superintendente da empresa Gasbrás, atendendo ao pedido do apresentador Flavio Cavalcante, emocionado pelo rumo tomado à vida do ator, presenteou-lhe com um rico troféu de Prata de Lei e mais uma vultosa quantia em dinheiro não revelada a pedido do próprio doador. O programa chamava-se “Boa Noite Brasil”, de grande audiência, e a atriz Eva Todor recebeu os presentes, agradecida pela generosidade de um jovem desprendido e amante do teatro brasileiro.

Sadi Cabral faleceu em 23 de novembro de 1986.

 

Romário, o homem dicionário

 

Na década de 40, César de Alencar era o mais popular e carismático apresentador de programas de auditório do Brasil. Às 15h de sábado, o país literalmente parava para ver as atrações do programa. Entre as principais atrações deste sucesso da Era do Rádio, estavam Emilinha Borba – a estrela do programa –, Orlando Silva. Ao lado dos artistas, cantores e compositores que participavam do Programa César de Alencar estava uma atração muito curiosa e especial: Romário, o homem Dicionário. Uma das mais geniais criações de produção de César de Alencar, Romário desafiava a todos os ouvintes a descobrirem uma palavra da qual ela não soubesse o significado. Os desafiantes mais apaixonados passavam a semana inteira procurando um vocábulo que lhe parecesse bem difícil, impossível de ser descoberto pela mente prodigiosa daquele homem que se apresentava de turbante nos palcos da Rádio Nacional. Iam ao auditório, diziam a palavra escolhida, mas era inútil. Romário, o Homem Dicionário, não errava uma. O número no programa de César de Alencar chamava-se “A Tendinha do Ali”. Romário começava o número com uma saudação em árabe, “Ala Kibir”,que em português pode ser traduzido para algo como “Deus é grande”.

Este homem chamava-se na verdade Romário Porto de Oliveira Júnior, coronel PM nascido em Magé e falecido em Niterói, Rio de Janeiro. Era artista, mas jamais deixou a carreira militar, na qual conseguiu inúmeras promoções e distinções, alçando cargos de confiança e comando em vários governos, sendo sempre um parâmetro, uma referência para seus colegas. Chegou a ser Chefe da Casa Militar e foi um dos fundadores e diretores da Escola de Oficiais da PM. Era autodidata, tendo cursado até a 4ª série do antigo ensino primário, o que só aumenta todo seu êxito no rádio. Ao que se saiba, Romário nunca ficou sem dar uma resposta em toda sua trajetória, no rádio ou na TV.

Um detalhe que poucos sabem: Romário, o craque do Vasco da Gama, da seleção brasileira, recebeu seu nome em homenagem a “Romário, o homem dicionário”, pois seu pai era fã do programa do Homem Dicionário na Nacional. Segundo sua própria família, era muito austero, mas muito engraçado, espirituoso e inspirado. Adorava contar suas histórias aos 10 netos, que ficavam hipinotizados. Uma de suas brincadeiras prediletas com as crianças era também a que exercitava o português, seu forte.

 

Heber de Boscoli

 

Predestinado a ser um dos maiores expoentes do rádio brasileiro, Heber de Boscoli foi um criador de programas numa época difícil de agradar a todos diante dos costumes rígidos desse período da década de 30 e 40. Estreou na Rádio Cruzeiro do Sul em 1937, onde tinha companheiros como Ary Barroso, Paulo Roberto, Carlos Ré e Ailton Flores, o Canarinho. 

Heber de Boscoli com seu talento foi criando programas como “A hora do Pato”, “Museu de Cera”, “A Felicidade Bate à sua Porta”, além do “Trem da Alegria”, em parceria com Lamartine Babo e sua mulher Iara Sales, que ganharam o apelido de Trio de Osso  numa blague ao Trio de Ouro, conjunto vocal formado por Herivelto Martins, Nilo Chagas e Dalva de Oliveira. O “Trem da Alegria” foi um programa de sucesso tão grande que teve de ser apresentado em teatros da cidade devido a sua imensa popularidade.

Heber foi um dos maiores arrecadadores publicitários de emissoras de rádio sendo em pouco tempo reconhecido por seu talento. Deve-se a Heber de Boscoli a idéia de se compor os hinos dos clubes de futebol e a permanente cobrança a Lamartine para cumprir essa tarefa,  realizada com muito sucesso.

Heber de Boscoli, para quem não sabe, tem um samba muito bem gravado por Silvio Caldas, Orlando Silva e Ciro Monteiro intitulado “Rosinha”, em parceria com Mário Martins, uma gravação do ano de 1942.

Heber de Boscoli faleceu no ano de 1956.

 

Cesar de Alencar

 

Ermelindo Cesar de Alencar, sem sobra de dúvida, foi o maior animador de programas de auditório que existiu no rádio brasileiro, no qual, através das ondas da Rádio Nacional, ajudou a popularizar todos os seus ídolos. Durante anos Cesar apresentou seu programa aos sábados, de 15h às 19h. A produção era de Helio do Soveral, que mantinha o Brasil atento durante esse período para culminar com a atração maior, chamada por Cesar de Alencar ao palco:

- A minha, a sua, a nossa favorita...Emiiilhiiiinha..Borrrrrba!

Nascido em Fortaleza, veio para o Rio de Janeiro ainda menino, para depois se matricular no Colégio Pedro II. Em 1939, ingressou na Rádio Clube do Brasil como locutor e contra- regra, trabalhando com Renato Murce participando de locuções comerciais. Mais tarde, Cesar de Alencar foi para a Rádio Nacional, onde criou o programa que levava seu nome.

Culto e inteligente, não demorou a alcançar o mais absoluto sucesso na emissora situada na Praça Mauá numero 7. Todas as atrações internacionais que vinham ao Brasil participavam de seu programa, como: Charles Trenet, Lucienne Boyer, Edith Piaff, Jean Sablon, Pedro Vargas, Juan Daniel, Gregório Barros, Maria Antoneta Pons, Ninon Sevilla, Elvira Rios, Ima Sumac, Bing Crosby entre muitos que souberam divulgar suas gravações em nosso país.

Cesar Alencar mostrou sua popularidade de ótimo apresentador na mesma proporção da Rainha dos Auditórios, Emilinha Borba, cantando em seu programa. Atrás dele surgiram outros querendo imitá-lo, mas sem sucesso.

Participou de gravações carnavalescas, canções de meio de ano, em duo com Emilinha, Marlene, Heleninha Costa entre outras devido a sua bela dicção como também aos sucessos que alcançava com os filmes da Atlântida.

Uma dúvida nos resta, depois da leitura do livro escrito por Jonas Vieira, sobre a sua participação direta na política que modificou a estrutura da emissora inaugurada em 12 de setembro do ano de 1936. César de Alencar faleceu em 14 de janeiro de 1990 aos 72 anos de idade.

 

Cesar Ladeira

 

Seu nome completo era Cesar Rocha Brito Ladeira, natural de Campinas, cidade paulista, onde nasceu num dia 11 de dezembro, dia em Noel Rosa aniversariava. Mais tarde, o destino dos dois se cruzaria na Rádio Mayrink Veiga.

Ladeira era um amante do Rádio. Essa é a expressão que posso com que posso apresentá-lo a quem quiser saber dos grandes valores que iniciaram na organização de elenco radiofônico.no Brasil.

Veio de São Paulo para o Rio de Janeiro para dirigir a Rádio Mayrink Veiga,colocando-a em plano artistico - cultural em primeira linha, lançando inclusive o célebre"Teatro pelos Ares" constituindo-se em atração semanal da PRA-9 .

Deu ao cantor Gastão Formenti o primeiro contrato a ser assinado profissionalmente no rádio brasileiro

Dividiu a sua programação como se estivesse produzindo um jornal, dividindo-a em horários especializados e criando para os cantores slogans artisticos, o que lhes deu mais  força em popularidade como A Pequena Notável para Carmen Miranda, O Cantor das Mil e Uma Fans, para Ciro Monteiro, A Voz de Dezoito Quilates,para João Petra de Barros, O Samba em Pessoa para Aracy de Almeida, O Rei da Voz para Francisco Alves ( inicialmente o Principe da Voz ) e outros mais, com exceção de Orlando Silva,que ganhou o seu por Oduvaldo Cozzi.

Cesar Ladeira com sua voz bonita e vibrante serviu de similar para tantos quantos queriam ingressar no mundo dos locutores radiofônicos. Sua voz padrão ficou marcada nas narrativas  de A Crônica da Cidade,Seu Criado,Obrigado, A-e-i-o-Urca.e centenas de outros comentários lidos por ele que deram inicio no Brasil ao Rádio Cívico Politico com muita escrita primorosa de Gilsom Amado Inteligente, praticamente ditou o tom da cultura através de seu elenco de primeira linha

Teve participações em televisão ao lado de sua mulher,atriz Renata Fronzi, atuou no Teatro Troll dirigido por Fábio Sabag, Teatro Piraquê na Tv Rio Canal 13.

Pertenceu também ao elenco da Rádio Nacional onde vitoriosamente pode sentir-se um REALIZADOR diante do microfone do rádio brasileiro.

 

Altivo Diniz

 

 

Altivo Diniz chamava-se na realidade Sebastião Maury Quaresma de Moura. Nome não muito apropriado artisticamente para um radioator, principalmente naquele tempo. Por isso, adotou por conta própria o nome de Altivo. Participou da primeira novela da Rádio Nacional intitulada “Oh, Meu Irmão, Salve-me” de autoria do espanhol Miguel Escuder. A principal característica de Altivo era imitar a voz de um caipira, que o tornava notável diante do microfone.

No cinema, participou de alguns filmes como: “Hoje o Galo Sou Eu”m com Ronaldo Lupui, Henriqueta Brieba, Liana Duval e Renata Fronzi. Altivo tomou parte também de “Balança Mas Não Cai”, que foi adaptado para o cinema em  função do enorme sucesso que o programa vinha obtendo na emissora. O êxito foi tão grande que a maioria do elenco pertencente ao “cast” da Rádio Nacional também integrou o elenco do filme. No programa “As Histórias do Tio Janjão”, os ouvintes tinham o privilégio de ouvir a “voz” do Gato Peixoto graças a sua talentosa interpretação.

 

 

 

 

 

Castro Barbosa

 

Uma das maiores figuras do Rádio brasileiro, Castro Barbosa (na foto com seu grande parceiro, Lauro Boeges) na realidade chamava-se Joaquim Silvério de Castro Barbosa e nasceu na cidade de Sabará, em Minas Gerais, no dia 7 de maio de 1909. Com sete anos sua família veio para o Rio de Janeiro, onde ele iniciou seus estudos, no bairro do Engenho Novo, no Grupo da Rua Barão do Bom Retiro, esquina com a rua Dona Romana.

Em 1920, Castro já estava no Colégio Pedro II recebendo aulas de matemática do famoso professor Euclides Roxo. Aos 18 anos teve seu primeiro emprego na Papelaria e Livraria Pimenta de Mello. O segundo emprego foi numa fábrica de bebidas, na rua de São Pedro. Quando tudo corria as mil maravilhas, eis que, no dia 10 de março de 1930, quando viajava de trem para Teresópolis, um pequeno desastre estragou tudo: ausente do emprego, foi mandado embora.

Recuperado, trabalhou depois no Lloyd Brasileiro, onde cantarolava para os colegas que o incentivavam a apresentar-se no rádio. Motivado, Castro Barbosa cantou de graça durante um ano nas emissoras existentes naquele tempo no Rio de Janeiro. Nesse período, se manteve como funcionário do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. Uma curiosidade que muitos desconhecem: o famoso Bando da Lua que acompanhou Carmen Miranda para os Estados Unidos começou com oito integrantes, eram eles: Aloysio de Oliveira, Osório, Stênio, Afonso, Armando, Helio, Ivo e Castro Barbosa.

No primeiro registro musical do Bando para a gravadora Brunswick, Castro Barbosa foi o solista do samba “Que Tal a Vida” e Aloysio de Oliveira era o crooner da canção do outro lado do disco, “Tá de Mona”. Em 1931, a convite de Almirante, fez  um teste na Rádio Educadora e lá iniciou sua primeira jornada. Nesse ano conheceu João de Freitas, o Jonjoca, e com ele formou uma dupla para “enfrentar” a famosa Francisco Alves e Mário Reis. E os dois não se saíram mal, gravaram diversos discos.

Sua grande oportunidade surgiu em 1932 ao gravar, de Lamartine Babo e Irmãos Valença, a marcha “O Teu Cabelo Não Nega”. Sucesso absoluto, Castro pediu demissão do banco mineiro, foi trabalhar na Phillips do Brasil e se casou. Sua voz de cantor era similar a de Francisco Alves o que ajudou bastante em sua carreira de intérprete.

Tinha mania de imitar o sotaque lusitano e com isso tirava proveito contando piadas e divertindo os colegas.O grande descobridor de talentos chamado Renato Murce, percebendo sua vocação de humorista, convidou-o para participar do elenco da Rádio Transmissora, e assim nascia o personagem que o acompanhou para sempre nas sátiras radiofônicas: “Seu Ferramenta”.

Castro Barbosa participou de diversos filmes nacionais, incluindo “Abacaxi Azul” já em dupla com Lauro Borges e com a PRK-30.

Sem abandonar a vida de cantor e de bom boêmio – ele chegou a fazer serenata em companhia de Custódio Mesquita,  contou-me certa vez - angariou muitos amigos. Gravou em dupla com as cantoras Dircinha Batista, Sonia Barreto, Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e mais Almirante, Déo, Murilo Caldas (irmão de Silvio) com o próprio Lauro Borges e com Francisco Alves o clássico “Feitio de Oração” de Noel Rosa e Vadico, gravação que muita gente desconhecia. Até aqui quem colocara primeiro a voz nessa musica em 1934.

De seu repertório carnavalesco estão registradas duas músicas inesquecíveis: “Teu Cabelo Não Nega” e “Praça Onze”, de Herivelto Martins, na qual cantou acompanhado pelo Trio de Ouro.

A segunda parte de sua vida artística, como humorista, foi de maior sucesso. Ao lado de Lauro Borges, a dupla fez o Brasil parar para ouví-los nos programas de Renato Murce intitulados “Piadas do Manduca”, “PRK-20” e mais tarde “PRK-30”. Castro fazia o papel do português Megatério Nababo de Alicerce, sempre ao lado do impagável Lauro Borges.

Participou do elenco de produtores e comediantes da extinta TV Rio, Canal 13, escrevendo o quadro “Só Tem Tan-tan” e “Coral dos Bigodudos” – do qual eu tomei parte -  para o programa de Chico Anísio, e também como partícipe e consultor do grande musical intitulado “História do Carnaval Brasileiro”, orientando o diretor, Armando Couto.

Logo depois da PRK-30, todos os demais programas dos quais participou durante anos na Rádio Nacional foram levados para a televisão e tiveram grande audiência.

Antes de encerrar quero lembrar que Castro Barbosa teve um irmão de nome Fernando, que foi cantor e que deixou sua voz marcada na gravação original da composição de Cândido das Neves intitulada “Útima Estrofe”, que seria relançada por Orlando Silva no ano de 1935 com muito sucesso até os dias de hoje.

Castro Barbosa nos deixou no dia 20 de abril do ano de 1975

 

Mafra Filho

 

Mafra Filho foi um  valoroso profissional diante dos microfones de emissoras de rádio, sempre emocionando os ouvintes da chamada Era de Ouro das novelas no rádio.

Iniciou suas atividades em 1938 no teatro, mas desde os tempos de escola já se fazia notar  por seu amor à arte de representar. Em 1945, a convite de Vítor Costa, foi contratado pela Rádio Nacional, onde mostrou seu talento em novelas famosas assinadas por Ghiaroni, Amaral Gurgel, Luiz Quirino, Oduvaldo Viana, Saint Clair Lopes e demais escritores.

 

Roberto Faissal

 

Roberto Faissal ingressou na Rádio Nacional no ano de 1943 como datilógrafo, com apenas 16 anos de idade. Mais tarde, enveredaria para o departamento técnico, aprendendo os segredos da sonoplastia, descobrindo os efeitos certos a serem usados nos mais variados tipos de programas radiofônicos.

Entrou para a equipe de rádio-teatro, por obra do acaso: certa vez atuando como sonoplasta no programa de Saint Clair Lopes intitulado “Os Grandes Amores da História”, ao verificar a ausência de determinado personagem para interpretar um dos amores de Sarah Benhardt, foi ao microfone. Foi o suficiente para receber elogios e prosseguir em uma nova caminhada, orientado pelo experiente irmão, Floriano, e sob as vistas do estruturador do rádio-teatro da querida emissora, Vítor Costa. Roberto participou das novelas de grande audiência da Rádio Nacional como galã. Dono de uma voz inconfundível, era um dos campeões de correspondências das admiradoras de seu tempo.

 

Rodolfo Mayer, Abigail Maia e Floriano Faissal

Três grandes nomes do rádio, na mesma foto.

Ao centro, Abigail Maia. Abigail nasceu no século retrasado, ou seja, em 16 de setembro de 1887, à  Rua do Senado, número 7. Aos quinze anos de idade já estava no palco substituindo uma faltosa atriz na companhia teatral da qual sua mãe, Balbina Maia, integrava o elenco. Sua história é longa e linda. Foi casada com Raul Roulien, primeiro ator brasileiro a ser conhecido em Hollywood, e depois com Oduvaldo Viana, dramaturgo que iria emprestar sua inteligência a serviço da cultura de nosso país, escrevendo novelas que até os dias de hoje são encenadas em diversos canais de televisão.

Até chegar a Rádio Nacional, na década de 40, Abigail Maia passou por todas as experiências artísticas.  Eram imensos os seus dotes, pode-se dizer que ela fez de tudo nos palcos de nossas praças teatrais. Cantou, dançou, declamou, representou ao lado dos mais destacados colegas da época. Foi contratada pela Rádio Nacional em 8 de abril de 1942.

No ano de 1920 o conhecido empresário Pascoal Segreto chama-a para se apresentar no Teatro São Pedro, trazendo-a de volta ao Rio de Janeiro. Nos palcos cariocas, Abigail protagonizou e criou diversos personagens com êxito, principalmente tomando como base todo o repertório de comédias de Oduvaldo Viana.

Além de ter sido atriz de todos os gêneros, foi um dos maiores cartazes da Rádio Nacional. Cantora, apresentava-se com Pepa Delgado e Raul Roulien. A primeira recebeu o título de “Rainha da Canção Brasileira”. Como atriz de opereta, brilhou em “Jurity”, peça que projetou Procópio Ferreira. Se Oduvaldo Viana foi um dos maiores defensores da independência de nosso teatro, tentando exaustivamente trocar o tradicional sotaque português pela pronúncia peculiar de nosso pais, Abigail Maia foi uma das pioneiras na luta pela liberdade da mulher, o que incluía o direito de pisar no palco para representar.

 

Floriano Faissal

 

Floriano Faissal foi um dos maiores radioatores de novelas no Brasil. Sua voz tornou-se conhecida a partir do seriado de Leandro Blanco intitulado “Em Busca da Felicidade”, lançado ao ar no dia 5 de junho de 1941 e encerrado vinte e três meses depois. Floriano fazia o papel do “Dr. Mendonça”. Com esta peça, a Radio Nacional dava seu primeiro grande passo  para o sucesso de novelas radiofonizadas. Faissal entrou para a Rádio Nacional no dia 1° de março de 1939. Só deixou a emissora no dia 1º de outubro de 1970.

Floriano nasceu em 20 de janeiro de 1907. Apaixonado pelo teatro, iniciou sua carreira como “ponto”. Para quem não sabe, ponto era aquele profissional que ficava no centro do palco, encoberto por uma caixa para que o público não o visse, lendo em voz alta o texto para os artistas repetirem. Talentoso, logo depois Floriano desempenharia papéis importantes em diversos espetáculos cariocas. Em 1938, entrou para a Rádio Nacional e o sucesso andou permanentemente de braço com ele. Foi diretor de radioteatro da emissora e recebeu o prêmio de Melhor Radioator do ano de 1954. Participou das principais novelas da Rádio Nacional.

 

Rodolfo Mayer

 

Foi por intermédio do rádio que o artista Rodolfo Mayer tornou-se conhecido do grande público brasileiro ao interpretar, na Rádio Nacional, em 1942, o personagem Alfredo Medina. Era um dos protagonistas da novela “Em Busca da Felicidade”, de Leandro Blanco.

Nasceu em São Paulo, no bairro da Luz, em 4 de fevereiro de 1910, mas iniciou sua carreira de ator ainda bem jovem, no Colégio Salesianos onde estudava e se destacava em Geografia e História. Mais tarde conheceu Oduvaldo Viana, que o apresentou a Procópio Ferreira no dia 29 de dezembro de 1932 durante um ensaio da peça “Deus lhe Pague”, no Teatro Boavista.

De fina aparência, logo foi convidado a integrar a companhia teatral de Procópio até 1935. Neste ano, veio para o Rio de Janeiro a convite de Darcy Cazarré, atuando ativamente nos mais elegantes teatros de nossa cidade em diferentes elencos teatrais, inclusive sendo eleito por seus colegas presidente de uma organização denominada “Comédia Brasileira”, organizada por Abadie Faria da Rosa sob os auspícios do Serviço Nacional de Teatro.

Diante de tanto talento, a Rádio Nacional, que a partir do ano de 1940 é impulsionada pelo Governo Vargas, contrata-o. Mayer é contratado no dia 5 de maio de 1940, quando morava na Rua da Gratidão. Ele ficaria por pouco mais de duas décadas na Nacional. É infindável a lista de prêmios, troféus, medalhas, honrarias que recebeu pelo tudo que fez no teatro, rádio, televisão e cinema.

Sua participação em “As Mãos de Eurídice”, de Pedro Bloch, monólogo dramático e imperecível, marcou sua presença na história da arte de representar no Brasil. Existe um LP gravado com sua notável interpretação nessa peça conhecida em quase todo mundo.

Foi casado com a radioatriz Lourdes Mayer e viveu exclusivamente para seu talento. Em São Paulo, onde nasceu, existe uma rua com seu nome, ao lado de outra cujo homenageado fora, como ele, um artista “que dispensa adjetivos”: Carlos Galhardo.

 

Blecaute

Blecaute era na verdade Otávio Henrique de Oliveira, paulista do Espírito Santo de Pinhal, nascido em 5 de dezembro de 1919. Iniciou carreira de cantor na Rádio Difusora de São Paulo e, aceitando a sugestão de Ariovaldo Pires, conhecido como “Capitão Furtado”, de grande influência no mercado de rádio da terra da garoa, Otávio passou a ser conhecido como Blecaute. O nome aproveitava o mote da severa economia de luz durante a Segunda Guerra Mundial.

Dicção perfeitamente clara, empático, sorridente e sambista autêntico, veio para o Rio de Janeiro em 1942  contratado da Rádio Tamoio, onde logo se destacaria para em seguida ser contratado  da  Rádio Nacional. Blecaute assinou com a Nacional em 1° de julho de 1947 e saiu em 30 de junho de 1973.

Na Nacional, fazendo parte do Programa César de Alencar, Blecaute tornou-se popularíssimo, lançando sambas de sua autoria e de outros compositores, sempre participando de toda a programação musical da antiga PRE-8. Em 1950, sua voz enquadrou-se perfeitamente na marcha de Roberto Martins e Wilson Batista intitulada “Pedreiro Waldemar”, composição de forte cunho social e crítica de costumes, o chamado “samba de protesto”, uma das primeiras deste gênero, comentada até hoje. Quem não se lembra? “Você conhece o pedreiro Waldemar?/ Não conhece./ Mas eu vou lhe apresentar./ De madrugada toma o trem da Circular./ Faz tanta casa e não tem casa pra morar./”

Blecaute teve seu nome perpetuado pela imprensa como o “General da Banda” logo após gravar samba com este nome, de Satyro de Mello, Tancredo Silva e José Alcides, composição que “estouraria” naquele carnaval, o mesmo em que fazia sucesso o “pedreiro fazia casa e não tinha casa pra morar”. Durante o período natalino, desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro, fantasiado de “fardado” general, ao lado dos meninos da Casa do Pequeno Jornaleiro. Quando criança, o menino Otávio bem cedo enfrentou a orfandade e por isso compreendia bem as tristezas que a meninada experimentava sem seus pais neste dia especial. Para esta data, Blecaute compôs e lançou uma canção denominada “Natal das Crianças” que, junto a “Boas Festas”, de Assis Valente, na voz de Carlos Galhardo, tornar-se-iam duas das mais cantadas no dia do nascimento do Menino Jesus!  

No Carnaval, Blecaute era o destacado oficial carnavalesco que levava alegria para o povo brasileiro por meio de suas gravações. Sucessos como “Que samba bom”, “Dona Cegonha”, “Maria Candelária”, “Maria Escandalosa”, “Papai Adão”, “Rei Zulu” e muitas outras. Gravou um LP incrível, cantando músicas latinas, que curiosamente tornou-se um disco raro no mundo fonográfico.

Participou com sucesso no ano de 1958 do show “Carnavália”, de Paulo Afonso Grisoli e Sidney Muller no Teatro Casa Grande, ao lado de Marlene, Nuno Roland e Eneida, uma admirável cronista paraense que conhecia a história do carnaval brasileiro como ninguém.

Blecaute teve rápida passagem pela televisão no ano de 1962, participando dos programas produzidos por Péricles do Amaral na TV Rio, ao lado de Gasolina, Tião Macalé, Monsueto Meneses entre tantos cantores e atores do extinto canal 13. Vestia-se com muito apuro e gastava suas energias na Lapa noturna ao lado de Geraldo Pereira, Wilson Batista e outros bambas, iniciando a canseira que se instalou em seu coração e que o fez baquear no dia 9 de fevereiro de 1983.

Sua imagem é vista vez por outra na televisão quando se trata de filmes da Atlântida onde aparece com sua simpatia lançando os sucessos para a festa do Rei Momo.

 

Cândido Botelho

 

 

De boa apresentação, o tenor Cândido de Arruda Botelho, de família tradicional e apaixonado pela música de câmara, procurou aperfeiçoar sua voz no Brasil, com o professor Carlos de Carvalho, e na Europa com Vera Janacopulus, na França, e com Marini, na Itália. Com poucas chances de sobreviver graças a seu trabalho com a música lírica, quedou-se para a música popular, o que não deu certo, visto que em seu tempo surgiram cantores como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas entre tantos que se identificavam com o gosto popular.

Apesar de se apresentar em shows luxuosos como “Joujou e Balangandãs” no Teatro Municipal e participar de espetáculos no Cassino da Urca em quadros deslumbrantes, Cândido experimentou uma forte frustração ao não receber autorização de Ary Barroso para gravar “Aquarela do Brasil”, mesmo depois de ser o primeiro a cantar a canção para a platéia elitista do afamado Teatro Municipal. Faleceu magoado com o autor que deu preferência a Francisco Alves para a gravação de “Aquarela”.

O Rei da Voz gravou “Aquarela do Brasil”, mas não deu importância a uma das mais belas páginas de Ary Barroso intitulada “Brasil Moreno” um samba emocionante que durante anos serviria de abertura musical nas peças de Walter Pinto no Teatro Recreio. “Balalaika”, “Quem Sabe”, “Canção da Felicidade” e outras iniciaram Cândido Botelho na música, porém, a valsa “Canta Maria” deu-lhe a popularidade merecida até o dia 24 de abril de 1955 quando faleceu.

 

Horacina Correa

 

Horacina Correa foi uma cantora gaúcha que fez grande sucesso no Brasil por intermédio de sua bela voz e de sua vocação de artista. Em sua terra natal foi uma das mais bem sucedidas intérpretes de Lupicínio Rodrigues. Adorava as festas carnavalescas e de ser solista do bloco “Divertidos e Atravessados” que durante o tríduo momesco reunia mais de 600 pessoas para o desfile triunfal na Rua da Praia, via tão popular em Porto Alegre, como a Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro

No ano de 1935, o Brasil fervia com as novidades musicais carnavalescas divulgadas em todo o Brasil pelas principais emissoras de rádio de cada cidade. Em Porto Alegre, destacavam-se as rádios Farroupilha e Gaúcha,  onde a cantora, hoje tão imerecidamente esquecida, foi um grande cartaz e admirada por ser também a voz principal do “Cordão Carnavalesco Turunas”, cujo maestro era compositor Alberto Martiniano, outro valor que o povo perdeu na lembrança, grande formador de excelentes músicos no Rio Grande do Sul.

Horacina veio para o Rio trazido por Walter Pinto, empresário teatral de grande visão artística, mas não sem antes contrair núpcias com Alberto Martiniano, numa das mais badaladas cerimônias religiosas realizadas em Porto Alegre. O casamento foi realizado no estúdio da Rádio Farroupilha com a solenidade acompanhada pela grande orquestra da emissora.

Como intérprete, Horacina gostava de se apresentar com as roupas típicas da Bahia, como a autêntica vendedora das gostosas iguarias da terra de Ruy  Barbosa. Com tabuleiro e tudo. Mulata bonita, atraente e muito simpática, recebeu convite para integrar a Orquestra do Maestro Fon Fon e com ela viajou por quase toda a América Latina e Europa, obtendo sempre enorme sucesso ficando muito conhecida na Argentina e Itália.

Participou de diversos filmes brasileiros, podemos lembrar “Este Mundo é Um Pandeiro” onde aparecia cantando de Ary Barroso o samba “No Tabuleiro da Baiana”. Tomou parte também do filme “É com Esse Que eu Vou”, cantando “Salve Ogum“ bonita composição de Pernambuco e Mário Rossi e gravado por Dircinha Batista. Participou também de “O Mundo se Diverte”, outra película muito aplaudida. Seu primeiro disco foi lançado em outubro de 1945, gravou diversos 78 rotações e LPs com músicas de Noel Rosa e Ary Barroso. Horacina cantou na Rádio Mayrink Veiga e se apresentou em quase todas emissoras de nossa cidade.

Hoje, Horacina é uma saudade boa de sentir. Aconselho aos que gostam de pesquisar as verdadeiras jóias brasileiras, a procurar mais informações dessa preciosidade chamada Horacina Soares Correa.

 

Ivon Curi

 

Ivon Curi veio ao mundo no dia 5 de junho de 1928 em Caxambú, em Minas Gerais. É de uma família de oito irmãos, entre eles os famosos Jorge Curi e Alberto Curi, locutores que tiveram destaque na era de ouro do rádio brasileiro. Ivon chegou com a família ao Rio de Janeiro no ano de 1940 e, na Cidade Maravilhosa, concluiu o curso científico.

tinha talento e vocação de artista. Aos 11 anos de idade, em sua cidade natal, foi vencedor de um programa de calouros interpretando “J'attendrai”, sucesso na voz de Jean Sablon.

Antes de entrar  para o rádio Ivon Curi fez parte do quadro de funcionários da Companhia aérea Panair do Brasil. Nesse período, apresentou-se diversas vezes na Rádio Tupi no conhecido programa intitulado “Sequência G-3” animado por Paulo Gracindo.

Ivon Cury Foi crooner da orquestra do maestro Zacarias e teve uma rápida passagem pela Rádio Nacional, depois trabalhou na Rádio Tupi, e finalmente retornou definitivamente para a Nacional, emissora situada na época, no maior prédio da América do Sul, o Praça Mauá, número 7.

Dorival Caymmi foi o autor de uma de suas primeiras gravações, ocorridas no ano de 1948: “Adeus”. Eclético contador de histórias, suas apresentações sempre foram diferente dos demais colegas. Conhecia bem a língua francesa e seu ídolo, o cantor Jean Sablon. Não demorou muito para que gravasse nesse mesmo ano “Pigalle” e “La Vie en Rose” dois clássicos populares da terra de Edith Piaf.

Cury gravou diversos ritmos: baião, xotes, samba, muito admirado por seu talento, foi aproveitado no cinema nacional nos filmes “Aviso aos Navegantes”, “Barnabé, Tu És Meu”, “Ai Vem o Barão” entre outros, doze no total.

Ivon é o autor de uma das mais dramáticas e perfeitas interpretações em forma de canção em “Retrato de Maria”, composto em parceria com Meira Guimarães. Compôs também o samba-canção “Escuta” gravado por Isaurinha Garcia e que foi sucesso na voz de Ângela Maria. Recebeu o título de melhor cantor do ano de 1955 em concurso promovido pela Revista do Rádio.

Percorreu quase todo o Brasil, viajou para Portugal, onde recebeu a Rosa de Ouro, condecoração oferecida pelo governo português somente a pessoas ilustres. Foi proprietário das casas noturnas Sambão e Sinhá e Karaokê onde sua presença garantia o sucesso da noite. Com o espetáculo denominado “Ivon em todos os tempos” no Teatro Casa Grande, no ano de 1971, Ivon Curi recebeu novos aplausos e deixou registrado para a posteridade esse show inesquecível.

Os amigos que chegavam em sua casa, no Cosme Velho, apreciavam na ante sala um majestoso quadro cuja pintura era Amália Rodrigues, sua amiga que o presenteara. Ivon Curi era chamado de “Chansonier Brasileiro” lembrando o carisma de seu colega francês, Maurice Chevallier. Faleceu aos 77 anos de idade, no dia de São João, do ano de 1995, deixando quatro filhos e sua mulher, Ivone Freitas Curi.

 

Oduvaldo Cozzi

 

Oduvaldo Cozzi era paulista, e desde menino mostrava enorme interesse pelas atividades esportivas que aconteciam no Brasil. Dono de um pronunciar marcante, efetivo, Oduvaldo Cozzi mostrou sua vocação ao participar das grandes jornadas esportivas de várias emissoras. 

Com muito talento para orientar seus colegas, Oduvaldo foi o primeiro diretor artístico da Radio Nacional.

No dia seguinte a sua inauguração, Oduvaldo Cozzi transmitiu a primeira atividade esportiva da emissora com o jogo Flamengo e Fluminense direto das Laranjeiras, além de informar aos ouvintes o desenrolar da partida entre Vasco da Gama e São Cristóvão e provas de atletismo. Esteve no Rio Grande do Sul e retornando para o Rio de Janeiro ficou durante muito tempo na Rádio Mayrink Veiga. Integrou o elenco da Radio Continental e logo depois trabalhou nas emissoras associadas.

Muito respeitado e admirado em seu tempo de radialista foi ele quem deu ao cantor Orlando Silva o apelido de “O Cantor das Multidões”, diante do sucesso que o ídolo fazia nesse tempo em São Paulo, atuando por condescendência de Oduvaldo, na época diretor da emissora da Praça Mauá.

Foi Oduvaldo Cozzi quem convenceu o artista Silvino Neto a abandonar a carreira de cantor de tangos como Pablo Duarte e tornar-se o grande humorista que fez o Brasil inteiro mais feliz.

Cozzi pertenceu a tevê Tupi do Rio de Janeiro. Tão grande foi sua importância em sua época e em seu trabalho que, após sua morte, o viaduto que fica no Maracanã, no Rio de Janeiro, em frente ao grande estádio, recebeu seu nome.

 

Simone Moraes

 

Simone Moraes (na foto com Arthur Costa Filho) é na realidade Risoleta Pires de Moraes Louzada. Nascida no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1923, no Colégio Militar, onde seu avô, o general Alfredo Odoarto de Moraes, era o comandante do tradicional educandário.

Certa vez, ouvindo o cantor Luiz Barbosa interpretar o samba “Risoleta”, de autoria de Raul Marques e Moacyr Barnardino, telefonou para a emissora onde ouvira a música e parabenizou o cantor, descobrindo depois que eram vizinhos no bairro da Tijuca. Ficou amiga da família, principalmente de dona Belinha, mãe do artista, além dos outros filhos, Barbosa Júnior e Henrique. Muito afinada e apadrinhada pelos dois filhos de dona Bela, estreou cantando na antiga PRA-9 ao lado de Bibi Ferreira, Carmélia Alves, Leda Barbosa e outras iniciantes iguais a ela.

Quando conheceu Armando Louzada, os dois se apaixonaram. O amor era tão intenso que Simone aceitou a proposta de casamento do conhecido radialista. Os dois casaram-se em 14 de fevereiro de 1942.

A conhecida canção de Bixio e Marchetti, composta no início do século passado, intitulada “Fascination”, ganhou letra pela primeira vez no Brasil pelas mãos de Louzada. A inspiração apaixonada tinha nome e sobrenome: era uma homenagem de Louzada a Simone Moraes. A música foi gravada com letra pela primeira vez no mundo na voz de Carlos Galhardo no ano de 1943. Simone Moraes, além de ter sido cantora e gravado musica até de Lamartine Babo, aceitou a sugestão do marido e rumou vitoriosamente para o radioteatro. Era uma profissional exemplar, e qualquer papel era desempenhado com dedicação. Contratada da Rádio Nacional, participou de todos os programas, do humorismo ao teatro sério. Na década de 60 foi convidada para atuar na TV Rio onde desempenhou com alegria os papéis nos quadros humorísticos dos programas “Noites Cariocas”, “Praça Onze”, ”O Homem e o Riso” e “Balança Mas Não Cai”, na Globo. Simone estava sempre alegre e era querida por todos. Esse é um perfil de Simone Moraes, a musa da letra “Os sonhos mais lindos sonhei/ De quimeras mil um castelo ergui”.



 
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